quinta-feira, 10 de maio de 2012

Espadana-de-água (Sparganium erectum)


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No lago do meu jardim são várias as espécies autóctones presentes: tábuas; juncos; nenúfares; agriões; ranúnculos; colheres; lírios-amarelos-dos-pântanos; pulgueiras; celgas-aquáticas; bunhos; mentas-de-água; rabaças; … . Mas também espadanas-de-água (Sparganium erectum), planta a que se refere a presente imagem.
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Costumo dizer que obtenho as plantas do meu jardim no Viveiro da Berma (berma da estrada, entenda-se). A espadana da imagem obtive-a num viveiro concorrente – Viveiro do Ribeiro (rio Tedo no caso, afluente do Douro).
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Considero a espadana extremamente ornamental, pela robustez das suas folhas e pela esférica beleza dos seus frutos e flores.

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Obtive a espadana da imagem numa expedição ao rio Tedo que com os meus filhos fiz no verão passado. Pretendo acelerar o processo de colonização do meu lago - variadas espécies de plantas e invertebrados extra dão algum jeito.

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Nome vulgar: Espadana; Espadana-da-água
Família botânica: Sparganiaceae
Nome científico: Sparganium erectum
Distribuição Geral: Grande parte Europa (exceto Norte) até ao Cáucaso e Sibéria, W e SW da Ásia e Norte de África (Marrocos); naturalizado na Austrália
Distribuição em Portugal: Norte; Sul e Centro litoral.
Habitat: ripícola, Juncais e pauis em lagoas, charcos e linhas de água doce.
Floração: abril - setembro
Características: As flores e os frutos esféricos, conferem à planta um grande interesse ornamental. Trata-se de uma planta robusta e direita, rizomatosa emergente
. As gemas de renovo mantêm-se abaixo da superfície da água. As folhas são geralmente direitas, triangulares em secção transversal. A inflorescência é ramificada. As flores masculinas situam-se acima das femininas, no eixo principal e em cada ramo.
Rafael Carvalho / mai2012

domingo, 6 de maio de 2012

Abrótea (Asphodelus sp.)





Habituado às minhas origens, lá para os lados do litoral central…
… habituado à abrótea com escamas, peixe marinho, estava longe de imaginar que tal bicho possuía um homónimo parente no reino vegetal.
Pois abrótea (Asphodelus sp.) é a planta da imagem, frequente em locais algo perturbados: margens de estrada, orlas agrícolas, pousios, baldios e incultos. Encontrei os exemplares das imagens num talude de estrada em pleno vale do Douro.
A abrótea é uma planta bolbosa, de flores vistosas e caule comestível. A haste florida parte de um denso tufo basal de folhas, terminando numa inflorescência em forma de espiga, podendo contudo coexistir com outras inflorescências laterais mais curtas.
Existem diversas espécies de abróteas, difíceis contudo de destrinçar para um candidato a aprendiz de botânico, como eu.
É inegável o valor da abrótea enquanto planta ornamental. Tenho várias abróteas  plantadas no meu jardim autóctone sem que contudo ainda tenham florido. Aguardo pacientemente. Paciência aliás  é característica fundamental a quem se avia de plantas no viveiro da valeta.
Rafael Carvalho / mai2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cravo-do-monte (Armeria transmontana)






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Foi no litoral, de onde sou originário, que tive o meu primeiro contacto com as plantas do género Armeria, Armeria maritima no caso. A Armeria maritima já é amplamente usada em jardinagem, sem que muitos dos que a aplicam saibam trata-se de uma planta autóctone.
Residente no Alto-Douro, desconhecia a existência na região de um endemismo do mesmo género botânico, a Armeria transmontana, conhecida popularmente por cravo-do-monte.
Quando circulo de automóvel, dou por mim vezes sem conta a vasculhar as valetas e taludes, margens da estrada. Afianço contudo que tal ação não é patológica. Foi numa dessas sondagens que contactei na Serra de Montemuro com o cravo-do-monte. Posteriormente já o detetei em muitas outras zonas do Alto-Douro.
O valor estético do cravo-do-monte é inegável e a sua resistência também. Tenho-o plantado no meu jardim autóctone, onde fotografei os espécimes acima expostos. Os meus cravos-do-monte já se reproduzem, contribuindo para fomentar a biodiversidade local.

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Nome vulgar: Cravo-divino; Cravo-do-monte
Família botânica: Plumbaginaceae
Nome científico: Armeria transmontana
Distribuição Geral: NW Península Ibérica
Distribuição em Portugal: Norte interior e Centro interior.
Habitat: Matagais e rupícola
Floração: Maio - Julho
Características: Atinge 25 a 30 cm de altura, com folhas lineares formando almofadas junto ao solo. Possui flores rosadas com um pedúnculo bem destacado. As flores persistem durante bastante tempo depois de secas, sendo visíveis em cada floração as flores do ano anterior. Tem um grande interesse ornamental, podendo ser plantado em diferentes substratos.
Rafael Carvalho / mai2012 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ciência Viva à Conversa

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De uma parceria entre os Centros de Ciência Viva do Algarve e a Rádio Universitária da Algarve surge um programa chamado Ciência à Conversa, onde Luís Rodrigues (paleontólogo, divulgador de ciência e coordenador nos centros de ciência viva do Algarve) troca algumas impressões com cientistas e investigadores convidados. Nestes programas são abordadas as mais variadas temáticas com o objectivo de fazer chegar, em primeira mão aos algarvios e através do podcast a todo mundo, o que se têm feito pela ciência em Portugal. As ultimas duas edições foram sobre Anfíbios e Répteis, a diversidade existente no nosso país e as ameaças à sua conservação. Ficam aqui o links do podcast dessas conversas para que as possam ouvir!
+Ciência Viva a Conversa |19 abril 2012| Répteis e Anfíbios
Ciência Viva a Conversa |26 abril 2012| Répteis e Anfíbios
Uma notícia  http://anfibioserepteis.blogspot.pt/

Curso de Introdução aos Anfíbios e Répteis de Portugal

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Não percas no próximo Sábado o Curso de Introdução aos Anfíbios e Répteis de Portugal organizado pela Associação PATO. O Paúl da Tornada é um pequena zona húmida protegida nas imediações das Caldas da Rainha que abriga uma grande diversidade de anfíbios e de répteis, a associação PATO convida-te a a participares nesta actividade para que possas aprender um pouco mais sobre estes animais! Aparece!

sábado, 28 de abril de 2012

Roselha-grande (Cistus albidus)



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Só podemos admirar aquilo que conhecemos. A roselha-grande (Cistus albidus) foi para mim uma descoberta relativamente recente.
No Douro, onde habito, foi junto à Barragem de Bagaúste que pela primeira vez tive contacto com esta planta. Num mortório (designação local dada aos terrenos ocupados por matos mediterrânicos autóctones, após cessar o cultivo da vinha), lá estava ela. Provocante, vestida de cor-de-rosa, como poderia eu não reparar na roselha? Posteriormente encontrei-a noutros locais do Douro, sendo relativamente abundante e facilmente identificável na primavera, pela exuberância das suas flores.
No meu jardim autóctone tenho várias cistáceas. Com a roselha-grande (as imagens são do meu jardim), enriqueci a minha coleção.
Parece que não sou o único a apreciar as cistáceas. Infelizmente contudo, dão-lhes mais valor
em países onde não ocorrem espontaneamente, sendo frequentes por exemplo nos jardins londrinos.
Como acontece com as outras cistáceas, as flores da roselha-grande são muito efêmeras – duram apenas um único dia. Contudo, como a planta é muito prolífera em flores, sucedem-se em catapulta, permanecendo a roselha florida durante várias semanas.

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Nome vulgar: Roselha; Roselha-grande; Roselha-maior.
Família botânica: Cistaceae.
Nome científico: Cistus albidus
Distribuição Geral: Oeste da Região Mediterrânica.
Distribuição em Portugal: Douro e depressões anexas; Região do Oeste; Centro interior; Sul interior.
Habitat: Matos, matagais e terrenos incultos.
Floração: abril a junho.
Características: Perenifólia. Arbusto muito ramificado que atinge 1 m de altura, de cor verde pálida prateada, aveludada. As suas flores são cor-de-rosa, daí o seu nome, com 4 a 6 cm de diâmetro. Como acontece com as restantes cistáceas, o seu fruto é uma cápsula que encerra um grande número de sementes. Cresce em qualquer tipo de solo mas prefere os solos calcícolas. É muito ornamental e pode ser usada em jardins mediterrânicos, rústicos e
rochosos.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Florescem as minhas videiras


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Já estão em flor as minhas videiras.
Tendo por pano de fundo a parede da minha casa, a jovem videira da imagem será parte integrante de uma futura ramada.
As ramadas ou latadas estão enraizadas na paisagem nortenha.
Não só pelo ensombramento mas também por efeito da evapotranspiração, pretendo que a minha ramada alivie a canícula duriense no pino do verão.
A história da cultura da vinha no Alto Douro é muito antiga. Reporta à pré-história, como atesta a descoberta de vestígios de grainhas de “Vitis vinifera” na estação arqueológica do Buraco da Pala, perto de Mirandela, datadas do século XX a.C.!
Rafael Carvalho / abr2011