terça-feira, 29 de maio de 2012

Roselhas do meu jardim





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Já aqui fiz referência às roselhas (Cistus albidus) do meu jardim. Não resisti e por isso publico mais algumas fotografias.
Considero as roselhas absolutamente fotogénicas. Pena é que por cá ainda não sejam valorizadas.
Em jardins e excluindo o meu, apenas vi aplicadas roselhas no Centro Interpretativo da Batalha de Aljubarrota. Foi intensão do arquiteto paisagista recrear a vegetação existente na altura da batalha, surgindo as roselhas ao lado de outras autóctones.
O inseto da segunda imagem é visto com frequência nas flores de roselha e de esteva. Gostava de o poder identificar.
Rafael Carvalho / mai2012

domingo, 27 de maio de 2012

As aves de Aquilino Ribeiro em audiolivro

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O “Guia das Aves de Aquilino Ribeiro” é uma antologia de excertos que ilustram as alusões e descrições de Aquilino Ribeiro das aves selvagens e dos seus habitats naturais. A compilação é de Ana Isabel Queiroz, bióloga (Universidade de Lisboa), Mestre em Etologia (ISPA) e Doutorada em Arquitectura Paisagista (Universidade do Porto), que no ensaio introdutório reflecte sobre a originalidade do mestre no que se refere ao tema da avifauna na literatura portuguesa.
A acompanhar o livro, ilustrado por dezenas de aguarelas da autoria do biólogo e artista plástico Maico (Carlos Pimenta), a edição tem um CD áudio que regista a leitura de 25 desses excertos pelo jornalista da TSF Fernando Alves, enquadrada por gravações de campo realizadas por ornitólogos do projecto “Paisagens Acústicas Naturais de Portugal” e separadas por breves peças musicais inéditas da autoria de José Eduardo Rocha.
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A obra foi lançada no dia 26 de Maio,  na Fundação Aquilino Ribeiro, em Soutosa, Moimenta da Beira, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Biodiversidade. E é editada pela “Boca – palavras que alimentam”, estreando a colecção “Bocage – Colecção de Ciência e Arte”.
A edição do audiolivro tem o apoio da Fundação Aquilino Ribeiro e das câmaras municipais de Moimenta da Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva.
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Livro 1. Apresenta textos de um dos maiores escritores portugueses, tantas vezes considerado como o mestre da literatura telúrica, e mostra como Aquilino Ribeiro merece ser considerado um grande naturalista;
2. Valoriza 12 das obras do escritor, reorganizando os excertos que se referem às aves selvagens e à relação do Homem com a Natureza;
3. Na sua linguagem rica, pontuada por vocábulos e sintaxes tipicamente beirãs, informa sobre os hábitos e habitats das espécies selvagens que povoam as paisagens das Serras da Lapa e da Nave (Beira Alta) durante a primeira metade do século XX;
4. Inclui excertos literários com referências a 67 aves selvagens distintas, ordenados por ordem alfabética de nomes vulgares;
5. Classifica cada um dos excertos com base num conjunto de descritores de conteúdo que reflectem aspectos da biologia (como morfologia ou comportamento) e da relação do Homem com a Natureza (como caça ou prejuízos na agricultura);
CD áudio 1. Partindo de gravações de campo disponibilizadas por ornitólogos (numa parceria com o projecto "Paisagens Acústicas Naturais de Portugal", do MNHN-ISPA), dá a conhecer as vocalizações das espécies citadas e recria a paisagem sonora do planalto beirão – enquadrando assim os excertos literários gravados;
2. Inspirando-se nesse universo de sons naturais, acrescenta-lhes pequenas peças musicais executadas com chamarizes construídos a partir de borracha, madeira, metal ou osso para comunicar com as aves, composições essas que funcionarão como separadores entre os excertos literários gravados.

sábado, 26 de maio de 2012

Parques e Vida Selvagem - edição de primavera

Foi publicada no dia 24 de abril mais uma edição da revista PARQUES E VIDA SELVAGEM.
Trata-se de uma excelente revista... ainda por cima gratuita!
As traves-mestras desta publicação são a educação ambiental e a conservação da natureza.
A revista PARQUES E VIDA SELVAGEM é produzida trimestralmente pelo Parque Biológico de Gaia.
Obtenha o seu exemplar digital (Acrobat reader) clicando aqui.
Também aqui poderá obter os números anteriores.
Rafael Carvalho / mai2011

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Florescem os meus rododendros


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Estão em início de floração os meus rododendros - tenho dois pequenotes no meu jardim. São da espécie Rhododendron ponticum, autóctones no nosso território.
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Com o seu ar bombástico, o jardineiro menos informado facilmente o confundiria com qualquer outra espécie exótica. Efetivamente a nível mundial, a maioria das espécies de Rhododendron habita zonas pluviosas de clima subtropical, principalmente no maciço dos Himalaias.
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O Rhododendron ponticum, relíquia do Terciário, proliferava outrora em vastas extensões da Europa. Atualmente encontra-se apenas em núcleos residuais do Sudeste Europeu e parte da Ásia Menor, bem como na Península Ibérica - Serra do Caramulo, Serra de Monchique e em Cadiz, Sul de Espanha. Foi introduzido nas ilhas britânicas onde é considerado uma espécie invasora (e nós aqui a lutarmos pela sobrevivência dos nossos últimos exemplares!).
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Veja os Rododendros do Caramulo e de Monchique, no seu ambiente natural, clicando respetivamente aqui e aqui.
Rafael Carvalho / mai2012

sábado, 19 de maio de 2012

Mais círculos, não tão estranhos, no meu jardim…


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No meu jardim não existem apenas círculos feitos por formigas, motivo de notícia no meu último post.
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Outros círculos e outros arcos circulares aparecem, construídos desta feita por mão humana.
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Na imagem, mostro uma pia granítica que me foi dada por um amigo de Resende há uns anos atrás. Servia outrora para dar de beber e/ou comer aos animais domésticos. Serve agora para dar de beber aos animais selvagens.
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A contornar a pia o lancil da minha granítica calçada, mais um arco de circunferência.
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A rematar este post outro círculo. Residência de sempre-vivas, visto de cima trata-se de um vaso construído por mim com velhas telhas de cano, facto a que anteriormente aqui aludi.
Rafael Carvalho / mai2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Apareceram círculos estranhos no meu jardim!

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Apareceram círculos no meu jardim, estranhos para quem desconhece o fenómeno!
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Não se tratam de vulcões nem de crateras lunares. Posso também garantir que estes círculos não foram construídos por seres extraterrestres. O ser que os construiu, circula sob e sobre a terra há certamente mais anos do que nós,
humanos.
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Ora os círculos da imagem constituem a entrada de um formigueiro. As noções matemáticas, nomeadamente ao nível da geometria, não são exclusivas da espécie humana.
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Sejam bem-vindas as formigas. O meu jardim é espaçoso e quer-se biodiverso.
Rafael Carvalho / mai2012

sábado, 12 de maio de 2012

Testículo-de-cão (Orchis morio)





A última imagem foi obtida aqui
A minha relação com as orquídeas autóctones portuguesas é muito recente. Conta-se pelos dedos de uma mão, os anos que passaram desde o meu primeiro contacto com uma orquídea nativa do nosso território.
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Claro que já há muito tempo convivia com as vistosas orquídeas que todos vemos à venda nos espaços comerciais – Cymbidium sp., Phalaenopsis sp., …
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No meu primeiro contacto com as nossas orquídeas, confesso que elas me entraram pelos olhos adentro, não literalmente mas quase: perante um prado de orquídeas, seria impossível não reparar nelas!...
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O aspeto da flor parecia-me familiar e não foi difícil associá-lo à orquídea. Descobri na altura tratar-se da Orchis morio, popularmente conhecida por Testículo-de-cão. Depois disso vieram outras - Cephalantera longifólia, Dactylorhiza sulphurea, …
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Pois voltando à nossa Orchis morio, exposta nas imagens, não descansei enquanto não a introduzi no meu jardim. Tive sucesso e as imagens são prova disso mesmo. Transplantei alguns pés e também fiz sementeira direta. Atualmente reproduzem-se espontaneamente – espero com isso contribuir para fomentar a biodiversidade local.
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Confesso que todo o processo decorreu com alguma expetativa. Parece que as orquídeas vivem em
simbiose com fungos micorrizas, pelo que normalmente a propagação artificial não é fácil de acontecer.
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No prado que envolve a minha casa, todos os anos espero que as orquídeas floresçam para efetuar o primeiro corte do ano. Floridas saltam a vista. Sem flor confundem-se com as restantes ervas.
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Nome vulgar: Erva-do-sapelo; Erva-do-salepo-de-tubérculos-dependurados; Testículo-de-cão
Família botânica: Orchidaceae
Nome científico: Orchis morio
Distribuição Geral: Grande parte da Europa até ao Cáucaso; Oeste da Ásia; Norte de África
Distribuição em Portugal: Vale do Douro e depressões anexas; Extremadura; Alentejo interior; Algarve.
Habitat: matos, relvados húmidos, terrenos incultos e ruderal.
Floração: março - junho
Características: A Ochis morio é relativamente pequena (normalmente 15 a 20 cm). Pode durar duas dezenas de anos, com florações anuais. As suas folhas, não manchadas, despontam no início do inverno. Meia dúzia delas, lanceoladas, são basais, desaparecendo em Junho mal termine a floração; duas ou três folhas abraçam o caule. As flores, no cimo do caule superiormente púrpura, exibem alguma variação na cor (violeta, púrpura, rosa ou branco). Possuem um capuz feito por uma sépala e duas pétalas com o interior riscado, imagem de marca desta orquídea. O labelo possui uma área central clara com manchas violeta. O labelo curva-se para trás, formando uma saia de três lóbulos com bainha crenada.
A Orchis morio não produz néctar. Enganadas pelas vivas cores, as abelhas polinizam a planta sem receberem nada em troca - rico negócio para a orquídea.
Quanto ao nome comum - testículo-de-cão, observem-se os dois tubérculos presentes na raiz  e adivinhe-se porquê.
Rafael Carvalho / mai2012