




A minha relação com as orquídeas autóctones portuguesas é muito recente. Conta-se pelos dedos de uma mão, os anos que passaram desde o meu primeiro contacto com uma orquídea nativa do nosso território.
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Claro que já há muito tempo convivia com as vistosas orquídeas que todos vemos à venda nos espaços comerciais – Cymbidium sp., Phalaenopsis sp., …
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No meu primeiro contacto com as nossas orquídeas, confesso que elas me entraram pelos olhos adentro, não literalmente mas quase: perante um prado de orquídeas, seria impossível não reparar nelas!...
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O aspeto da flor parecia-me familiar e não foi difícil associá-lo à orquídea. Descobri na altura tratar-se da Orchis morio, popularmente conhecida por Testículo-de-cão. Depois disso vieram outras - Cephalantera longifólia, Dactylorhiza sulphurea, …
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Pois voltando à nossa Orchis morio, exposta nas imagens, não descansei enquanto não a introduzi no meu jardim. Tive sucesso e as imagens são prova disso mesmo. Transplantei alguns pés e também fiz sementeira direta. Atualmente reproduzem-se espontaneamente – espero com isso contribuir para fomentar a biodiversidade local.
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Confesso que todo o processo decorreu com alguma expetativa. Parece que as orquídeas vivem em simbiose com fungos micorrizas, pelo que normalmente a propagação artificial não é fácil de acontecer.
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No prado que envolve a minha casa, todos os anos espero que as orquídeas floresçam para efetuar o primeiro corte do ano. Floridas saltam a vista. Sem flor confundem-se com as restantes ervas.
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Nome vulgar: Erva-do-sapelo; Erva-do-salepo-de-tubérculos-dependurados; Testículo-de-cão
Família botânica: Orchidaceae
Nome científico: Orchis morio
Distribuição Geral: Grande parte da Europa até ao Cáucaso; Oeste da Ásia; Norte de África
Distribuição em Portugal: Vale do Douro e depressões anexas; Extremadura; Alentejo interior; Algarve.
Habitat: matos, relvados húmidos, terrenos incultos e ruderal.
Floração: março - junho
Características: A Ochis morio é relativamente pequena (normalmente 15 a 20 cm). Pode durar duas dezenas de anos, com florações anuais. As suas folhas, não manchadas, despontam no início do inverno. Meia dúzia delas, lanceoladas, são basais, desaparecendo em Junho mal termine a floração; duas ou três folhas abraçam o caule. As flores, no cimo do caule superiormente púrpura, exibem alguma variação na cor (violeta, púrpura, rosa ou branco). Possuem um capuz feito por uma sépala e duas pétalas com o interior riscado, imagem de marca desta orquídea. O labelo possui uma área central clara com manchas violeta. O labelo curva-se para trás, formando uma saia de três lóbulos com bainha crenada.
A Orchis morio não produz néctar. Enganadas pelas vivas cores, as abelhas polinizam a planta sem receberem nada em troca - rico negócio para a orquídea.
Quanto ao nome comum - testículo-de-cão, observem-se os dois tubérculos presentes na raiz e adivinhe-se porquê.
Rafael Carvalho / mai2012