domingo, 8 de julho de 2012

Baracejo (Stipa gigantea)



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Confesso que só muito recentemente passei a estar atento ao potencial ornamental das nossas gramíneas. Esta afirmação não a aplico contudo ao baracejo, a gramínea das imagens. A admiração que nutro por esta planta já vem de longe. Eu próprio já a plantei no meu jardim.
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Nos locais rochosos do Alto-Douro, onde resido, é quase certa a presença do baracejo. As imagens que aqui apresento obtive-as no Monte de São Domingos,

em Armamar.
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O baracejo – Stipa gigantea – é mesmo gigante, dá nas vistas e esse é o segredo do seu potencial como planta ornamental.
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É
longa a tradição dos ingleses na aplicação de gramíneas nos seus jardins. Relativamente ao baracejo, clique aqui, abra os olhos e delicie-se.
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Nome vulgar: baracejo; garacejo
Família botânica: Gramineae (Poaceae)
Nome científico: Stipa gigantea
Distribuição Geral: SW da Europa; N de África; W da Ásia
Distribuição em Portugal: Douro e depressões anexas (Flora Digital) bem como a zona Sul do país (Flora ON);
Habitat: rupícola mas também em prados perenes, do interior às arribas litorais.
Floração: junho - julho
Características: O baracejo com as suas espiguetas pode atingir 2m de altura. As suas folhas são estreitas e lineares, formando tufos.
Em jardins rochosos, ou não, com as suas grandes inflorescências douradas, esta é sem dúvida umas das gramíneas autóctones com maior potencial ornamental.
Rafael Carvalho / jul2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cravina-brava (Dianthus lusitanus)




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Ao Alto-Douro já lhe ouvi chamar ilha de xisto. Foi pois nesse ambiente que eu me habituei a viver. Acontece que na minha ilha de xisto também existem ocasionais afloramentos graníticos, com vegetação muito própria: dedaleira-amarela; baracejo; cravina-brava; …
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Viver nas fissuras das rochas não é para todos. Quem poderia supor que das
rochas poderiam brotar flores?
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Se a cravina-brava é graciosa, se a cravina-brava é autóctone, tinha de a ver no meu jardim. A última fotografia prova a concretização desse meu desejo. Coloquei-a numa brecha no seio da minha calçada, evitando dessa forma a concorrência de outras ervas. Com alimento à descrição e sem ervas rivais, é vê-la crescer – faça-se a comparação com a primeira imagem relativa a uma cravina a viver no monte.
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Habituada às agruras da rocha, a minha cravina-brava dispensa qualquer mimo. Ao recusar a rega deixa-me mais sossegado quando parto de férias no verão.
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Nome vulgar: Cravina-brava; Craveiro-de-Portugal; Cravo-de-Maio; Cravo-rosado
Família botânica: Caryophyllaceae
Nome científico: Dianthus lusitanus
Distribuição Geral: Península Ibérica e Norte de Marrocos.
Distribuição em Portugal: Norte interior; Centro interior; Sul interior
Habitat: rupícola, em fendas e plataformas de rochedos ácidos sem solo, em locais com elevada exposição solar.
Floração: junho - setembro
Características: Atinge 15 a 45 cm de altura com os caules finos e lenhosos formando tufos. Os caules floríferos podem ser simples ou ramosos. As folhas são um tanto carnudas, lineares, não possuem nervura aparente, com a margem inteira ou apenas serrilhada na base. As flores surgem solitárias ou aos pares no extremo dos ramos. O cálice estreita progressivamente no extremo superior. Possui cinco pétalas intensamente rosadas e profundamente dentadas.
Tem um grande interesse ornamental, podendo ser plantada em jardins rochosos ácidos.
Rafael Carvalho / jul2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Rãs e libelinhas no meu charco…





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Insectos, moluscos, crustáceos, anfíbios, repteis, … .A fauna que habita o meu charco é diversificada.
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Ao contrário das plantas, os animais tem pernas e/ou asas pelo que na minha presença fogem. A minha máquina fotográfica é das mais simples, não permitindo grandes definições quando faço atuar o zoom. De fotografia percebo muito pouco e, para piorar a situação, com reflexos constantes fotografar num ambiente aquático não é propriamente fácil.
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Apesar das limitações, apresento hoje quatro fotografias obtidas no meu charco. Fazem-me lembrar as imagens desfocadas das revistas cor-de-rosa. As duas primeiras têm por protagonista a rã-verde (Rana perezi). As duas últimas têm por protagonista a libelinha, cuja espécie gostava que alguém me ajudasse a identificar.
Rafael Carvalho / jul2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Plantio de um charco – classificação das plantas


Foto da autoria do próprio no próprio charco
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Um charco quer-se biodiverso. Quanto mais espécies vegetais em equilíbrio tiver um charco, mais rica será a vida animal que lhe estará associada.
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As plantas aquáticas alegram-nos com a sua beleza, fornecem oxigénio, refúgio e local de desova para muitos animais. Concorrem ainda com as indesejáveis algas.
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Na escolha das plantas aquáticas dever-se-á dar prioridade às autóctones, mais adequadas ao nosso clima e à nossa paisagem. As plantas autóctones mais facilmente interagem com a fauna local. Se forem colhidas diretamente na natureza, num ambiente aquático próximo, são adquiridas a custo zero, evitam a contaminação genética e a introdução de espécies invasoras.
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Segue-se uma possível classificação das plantas, segundo a posição que ocupam no charco relativamente à margem ou ao nível da água. Esta classificação não é universal e o mesmo termo pode ter diferentes significados consoante a fonte.
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Plantas flutuantes: são as plantas que flutuam na superfície da água, não possuindo raízes fixas a qualquer substrato. Preferem águas calmas e necessitam de sol pleno. Oferecem sombra para os seres submersos.
Exemplo: lentilha-de-água.
Plantas de folhagem flutuante: são plantas que fixam as raízes ao solo. As suas folhas, no início submersas, emergem e ficam em contato com a atmosfera. A sua floração é aérea.
Exemplo: nenúfar.
Plantas submersas: são plantas que fixas no solo desenvolvem a sua folhagem dentro de água. As plantas submersas contribuem para a oxigenação da água e evitam o desenvolvimento de algas indesejáveis que gostam de águas pouco oxigenadas. Muito apreciadas pela fauna aquática, as plantas submersas servem de refúgio e local de desova para diversos animais.
Exemplo: erva-do-peixe-dourado.
Plantas emergentes / plantas marginais: as plantas marginais preferem os locais rasos, como as margens do charco. Permanecem com as raízes e a primeira porção do caule submersos. As folhas desenvolvem-se fora de água. Oferecem excelente abrigo aos anfíbios, insetos e outros animais aquáticos.
Exemplo: lírio-amarelo-dos-pântanos.
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As plantas flutuantes e de folhagem flutuante devem ser controladas, por forma a manter livre 2/3 ou mesmo ¾ da superfície da água. Também as plantas emergentes e as plantas submersas poderão ser muito colonizadoras, havendo necessidade de, nesse caso, proceder a frequentes mondas.
Rafael Carvalho / jun2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

As nuvens do meu lago


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Um lago com nuvens. Estranho acontecimento esse!
Pois é, o meu lago tem nuvens, refletidas pois claro…

Rafael Carvalho / jun2012

sábado, 23 de junho de 2012

Explode de vida, o meu charco…

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A presente fotografia, obtive-a no meu charco. O seu conteúdo enche-me de orgulho.
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A construção de um charco, concretização de um sonho de criança, permitiu fomentar a biodiversidade no meu jardim. Entre plantas e aninais, pretendia albergar em 36 metros quadrados o maior número possível de seres vivos, uma forma diferente de comemorar o então ano internacional da biodiversidade.
Um charco no jardim, funciona como uma maternidade para alguma da vida selvagem. Plantas aquáticas, animais como os anfíbios e as libelinhas são totalmente dependentes da água para poderem sobreviver. Estes animais retribuem controlando pragas agrícolas. Não é de desprezar ainda o valor paisagístico de um charco, bem como o prazer que ele pode oferecer ao permitir a observação de aves, insetos e anfíbios.
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Na base da cadeia alimentar estão as plantas. As plantas servem ainda de refúgio a muitos animais bem como local de postura dos seus ovos. Espadana-de-água, tábua, junco, rabaça, caniço, lírio-amarelo-dos-pântanos, carriço-dependurado, pulgueira, bunho, salgueirinha, colher, celga, nenúfar, erva-do-peixe-dourado, ranúnculo aquático, lentilha-de-água,… – foi por aí que eu comecei. Como em qualquer outro jardim, um jardim aquático nunca está terminado. Das expedições que ainda hoje faço aos cursos de água da região continuo a trazer plantas, tendo o cuidado de não transportar comigo plantas exóticas invasoras.
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Quando terminei a construção do meu charco, derramei no seu interior um balde de lodo, verdadeiro fermento de vida, trazido de um outro lago. Foi a forma que encontrei para o ativar. O lodo contém microrganismos, invertebrados e seus ovos, indispensáveis ao equilíbrio do ecossistema.
Os primeiros insetos a aparecerem no meu charco foram os barqueiros e os alfaiates. Os últimos acabaram destronados pelos primeiros. Também já por lá vi escorpiões-de-água e escaravelhos-de-água. São diversas as espécies de libelinhas que sobrevoam o meu charco, com destaque para o imperador-azul, admirável helicóptero no mundo dos insetos.
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Pastando no meu lago, são visíveis os caracóis aquáticos. Também já por lá detetei sanguessugas.
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Com a base da cadeia alimentar estabelecida, não demoraram a surgir os anfíbios. Primeiro a rã-verde, depois o tritão marmoreado. Já tentei introduzir a rã ibérica, presente na minha região, mas não tive sucesso. É indiscritível a sensação de ouvir coaxar as rãs, especialmente nas noites quentes, verdadeira melodia para os meus ouvidos.
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Surpresa foi no outro dia ter visto no meu charco uma cobra de água, ser que, relativamente aos anfíbios, se encontra um patamar acima na cadeia alimentar! A cobra de água é um ser completamente inofensivo para nós humanos. A sua presença só é possível devido à existência de anfíbios, suas presas. Este acontecimento é para mim a cereja no topo do bolo, sinal de êxito deste meu empreendimento.
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Pintassilgos, verdilhões, pardais, arvéolas, … No meu charco matam a sede várias aves da minha região. É um corre-corre, ou melhor dizendo, um voa-voa, nos quentes dias de verão.
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Quanto a mamíferos, os morcegos ao crepúsculo fazem voos rasantes no meu charco, certamente à cata de insetos. Frequentemente vejo por lá beber o meu gato. Embora contra a minha vontade, ocasionalmente o cão da minha vizinha no meu charco toma o seu banho.
Rafael Carvalho / jun2012
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Recomendo uma visita ao sitio http://www.charcoscomvida.org/, projeto a que aderi.
Para saber mais sobre flora aquática ribeirinha,
clique aqui.
Se tiver curiosidade, para sentir o prazer de ver e ouvir uma rã-verde a coaxar,
clique aqui.