segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Juncos na Vela




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À semelhança dos posts anteriores, continuo pela Lagoa da Vela.
Já aqui referi que algumas das espécies marginais (tábuas, caniços, bunhos, …) formam na Vela manchas continuas sem se misturarem. O Junco é mais uma delas.
Com cerca de 30 espécies de juncos no nosso país, relativamente aos exemplares das imagens não arrisco uma identificação.
O disparo da câmara fotográfica foi feita do interior da lagoa para a margem. Os juncos acabaram por se misturar com os seus reflexos. Por detrás dos juncos são visíveis salgueiros, árvores que também marginam a lagoa.
Os juncos são plantas facilmente adaptáveis. Tenho vários no meu lago.
Rafael Carvalho / ago2012

sábado, 25 de agosto de 2012

Capim-serra (Cladium mariscus)




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Para a planta que hoje apresento, não conheço qualquer nome comum usado em Portugal. Os brasileiros chamam-lhe capim-serra, apelido que considero absolutamente adequado - vou "pegar" este nome emprestado. As suas folhas duras e cortantes atuam como autênticas lâminas. Entre mergulhos na Lagoa da Vela (concelho da Figueira da Foz), em miúdo, menos cauteloso, várias vezes me cortei nesta planta. As imagens acima expostas foram obtidas este verão na referida Lagoa.
Em Portugal penso que o capim-serra não será muito frequente. Não consta dos registos da "Flora Digital", base de dados a que com frequência recorro.
Introduzi sem grande sucesso o capim-serra no lago do meu jardim. Não morreu mas também não se desenvolveu - é a natureza do Alto-Douro a rejeitar o que não lhe pertence.
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Nome vulgar: não conhecido para Portugal
Família botânica: Cyperaceae
Nome científico: Cladium mariscus
Distribuição Geral:
Distribuição em Portugal: Centro e Sul do país. O "Flora On" identifica a sua presença na Lagoa da Vela - Fig. da Foz e em alguns locais perto da Serra da Arrábida como sendo a Lagoa de Albufeira.
Habitat: margem de lagoas e locais pantanosos não distantes do litoral
Floração: Maio - Setembro
Características:
Planta herbácea vivaz, rizomatosa e robusta com 1 a 2 m de altura. Possui folhas duras e muito ásperas nos bordos, cortantes, compridas e largamente lineares, serrilhado-denticuladas nas margens. As suas Inflorescências são muito ramificadas, terminando cada uma num grupo denso e arredondado. Os seus frutos são castanho-brilhantes.
Possui potencial ornamental pela sua corpulência, robustez e beleza das suas inflorescências. Pode servir para marginar lagos especialmente nas suas zonas de ocorrência natural.
Rafael Carvalho / ago2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Lagoa da Vela - um paraíso no litoral central









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As imagens que hoje apresento obtive-as este verão na Lagoa da Vela, concelho da Figueira da Foz. Lagoa da Vela, Lagoa das Braças, Lagoa da Salgueira… Desde miúdo que pelo menos uma visita anual a estes locais é para mim obrigatória. Como possuo uma canoa, consigo ter um contacto mais próximo com estes espelhos de água.
Sobre solo arenoso, a água da Lagoa da Vela corresponde à superfície freática. Do lado oceânico a lagoa confronta com as matas nacionais dominadas pelo pinheiro-bravo, estabelecidas sobre dunas estabilizadas. Do lado continental a lagoa confronta com terrenos agrícolas constituídos sobre areias eólicas sem estrutura dunar.
Na água os tapetes de nenúfar-branco saltam à vista. Nas margens, sem se misturarem, são visíveis manchas de tábuas, bunho, caniço, Junco e Cladium mariscus. A tanchagem-da-água, a salgueirinha, a erva-pessegueira, várias espécies de ranúnculos e a hortelã-da-água também marcam presença. Infelizmente a invasora pinheirinha também.
Entre árvores e arbustos ribeirinhos, na Lagoa da Vela constam salgueiros e amieiros.
Rafael Carvalho / ago2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Verbasco-de-flores-grossas (Verbascum litigiosum)








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Garanto que as imagens que hoje apresento não foram obtidas em Madagáscar. A planta retratada não vive na Nova Zelândia e muito menos nas ilhas Galápagos. As fotografias são do verbasco-de-flores-grossas e obtive-as na Praia da Tocha, distrito de Coimbra.
Trata-se de um endemismo lusitano cuja distribuição se deveria presumivelmente resumir à faixa litoral portuguesa a sul do Cabo Mondego. Estes retratos foram por mim obtidos este verão 15 km mais a norte.
Com estatuto de ameaçada, o verbasco-de-flores-grossas é uma espécie protegida por vários decreto-lei. Alvo de sistemáticas perturbações, o seu habitat encontra-se muito alterado devido à expansão urbana, às atividades agrícolas e à extração de inertes, bem como à erosão e ao pisoteio das dunas.
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Nome vulgar: Verbasco-de-flores-grossas; Erva de Sampaio
Família botânica: Scrophulariaceae

Nome científico: Verbascum litigiosum
Distribuição Geral: endemismo lusitano
Distribuição em Portugal: faixa litoral do Algarve à serra da Boa Viagem
Habitat: solos arenosos de dunas, mais ou menos consolidadas
Floração: primavera e início de verão
Características:
Planta bienal com um único caule que pode atingir até 2 m de altura. Desenvolve-se a partir de uma roseta à superfície do solo. As folhas basais são alternadas, com pecíolo longo. As folhas caulinares que abraçam e escondem o caule são sésseis (sem pecíolo) e mais pequenas. Possui folhas espatuladas cujo aspeto aveludado lhe é conferido por uma penugem densa e amarelada. Na parte terminal da haste dispõem-se as flores cujos estames possuem filetes todos glabros (sem pelos). Esta característica permite facilmente distinguir o V. litigiosum do
V. thapsus, de quem já foi considerado uma subespécie. Os filetes do V. thapsus são cobertos de pelos lanosos. Flores e frutos distribuem-se compactamente não deixando ver o eixo da inflorescência.
Pela sua corpulência e robustez, isolado ou em grupo, o verbasco-de-flores-grossas revela-se extremamente ornamental. A sua manutenção em jardins à beira-mar – o seu ambiente natural, poderá contribuir para aumentar os seus efetivos populacionais e a área de distribuição desta espécie ameaçada da nossa flora autóctone.
Rafael Carvalho / ago2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Nenúfar-branco (Nymphaea alba)


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Desde que presente, em qualquer charco o nenúfar é rei e senhor. Abismados pela beleza da sua flor, pasmam-se os humanos. Como jangada ou como plataforma de mergulho, veneram-no as rãs.
No seio da natureza, nem todos tiveram o privilégio de com o nenúfar privar. Logo em miúdo essa regalia tive-a eu.
Uma visita às Lagoas da Quiaios - Vela e Braças, sempre foi na minha família um ritual de verão. Foi por lá que o meu pai nasceu. Entre banhos e mergulhos, terá sido nas ditas lagoas que pela primeira vez com o nenúfar contactei - Nymphaea alba no caso.
Em jeito de jarra florida, na casa de férias dos meus pais, com frequência fiz flutuar numa taça de vidro a flor de um nenúfar. Foi assim que percebi que a flor recolhe à noite, para logo reabrir pela manhã.
Agora que tenho um charco, o rei não poderia ficar de fora. Semeadas num vaso e depois imersas, as sementes do nenúfar-branco não tiveram qualquer dificuldade em germinar. Também já propaguei nenúfares por divisão dos seus rizomas.
Em Portugal ocorrem duas espécies de nenúfar - o branco (Nymphaea alba) e o amarelo (Nuphar luteum). Em estado natural com este último nunca tive o prazer de contactar.

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Nome vulgar: adargas-de-rio; boleira-branca; figos-de-rio; golfão-branco; nenúfar-branco
Família botânica: Nymphaeaceae
Nome científico: Nymphaea alba
Distribuição Geral: grande parte da Europa e Ásia
Distribuição em Portugal: espontânea por todo o território continental; ocorre ainda nos Açores
Habitat: águas doces estagnadas ou de corrente fraca (remansos de rios, charcos, lagoas)
Floração: Março – Outubro
Características:
Planta aquática perene. As suas folhas flutuantes são sustentadas por longos pecíolos com vesículas de ar no interior, permitindo que a planta possa flutuar na água. As suas folhas são carnudas e cerosas, verde-escuro na página superior e avermelhadas na página inferior, apresentando até 30 cm de largura. Encontram-se reunidas em grupo sobre um rizoma carnoso e horizontal, enterrado no fundo lodoso. As flores brancas possuem longos pedúnculos de onde se destacam as anteras intensamente amarelas. As flores são flutuantes, tendo por norma entre 5 e 12 cm de diâmetro. O fruto é esférico, com cicatrizes deixadas pela inserção das pétalas e dos estames. O fruto amadurece debaixo de água libertando depois as sementes que, sendo flutuantes, facilita a sua dispersão.
O nenúfar-branco é muito ornamental, sendo muito usado em jardins como elemento decorativo de tanques e de pequenos lagos.
Durante o inverno perde as folhas, o que facilita a entrada de luz no lago. No verão a sua sombra evita que a água aqueça excessivamente.
Em vasos ou diretamente no lodo, o nenúfar deve ser plantado entre os 40 e os 50 cm de profundidade. Multiplica-se por sementes e por divisão do rizoma.
O nenúfar forma extensos tapetes flutuantes. Deve ser mondado se se revelar excessivamente colonizador.
Rafael Carvalho / ago2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Construção de um charco/lago

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Tenho feito neste espaço referência ao meu charco, cuja imagem atual apresento acima. Foi para mim um projeto conseguido.
Possuir um charco dá-me imensa alegria!
Sempre gostei de vida selvagem e o meu charco acaba por ser, no meu jardim, uma ilha prenhe de biodiversidade. Este gosto estende-se à restante família, com destaque para os meus filhos. Plantas aquáticas, insetos, crustáceos, anelídeos, moluscos, anfíbios, répteis e aves, todos têm lugar nesta pequena Arca de Noé. O mais interessante é que, sem qualquer esforço, todos estes seres vivos nos entram pelos olhos adentro.
O meu charco não é uma entidade isolada, estática. É muito mais do que um simples aquaterrário. Interage com o meio envolvente – regatos, nascentes, tanques e outros charcos da minha região. O meu charco é parte integrante do ecossistema global, recebe, mantém mas também dá vida.
Um novo coaxar, uma nova espécie de libelinha, o primeiro contacto com os ovos da rã, …. Possuir um charco não é só diversão, também é conhecimento. Cada planta e cada animal novo aguça-nos a curiosidade, incentiva-nos a investigar.
O mais curioso é que depois de construído, o sistema funciona sozinho. Limito-me a acrescentar água no verão.
Relativamente à construção de um charco, partilho neste post a minha experiência. Sempre poderá ser útil a mais alguém!...
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A escolha do local

Para estabelecer o meu charco escolhi um local afastado de árvores, pelas consequências negativas que advêm da inevitável queda de folhas. A decomposição das folhas leva à diminuição do oxigénio contido na água.
O local escolhido não possuía quaisquer canalizações ou cabos elétricos no subsolo, pelo que estive absolutamente à-vontade aquando da escavação.
Próximo do local havia uma torneira – estava assegurado o fornecimento de água.
O charco deveria ficar localizado num local onde apanhasse sol direto, durante pelo menos uma parte do dia. Esta condição estava assegurada.
Quem tem um bebé, por razões óbvias deverá localizar o charco num local que não lhe seja acessível, cuidado partilhado aliás por quem constrói uma piscina. Com crianças já grandes não tive esta preocupação.
Localizei o charco no meu jardim mesmo em frente ao meu lar. Trata-se de um lugar de passagem, facilmente visível a partir de casa. Pela proximidade, se eu não for ao encontro da natureza ela encarrega-se de comigo vir ter. O charco na minha casa passou a ser um local privilegiado para a observação da vida selvagem.
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O tamanho do charco

É evidente que quanto maior for um charco, mais facilmente será atingido e mantido o equilíbrio biológico. Um charco nunca deve ter menos de 10 metros quadrados de área. A superfície do meu charco tem de área 36 metros quadrados. A profundidade do meu charco no ponto mais fundo ronda os 80 cm, valor mínimo recomendado para a profundidade máxima. Com uma profundidade superior ou igual a 80 cm, no pino do verão a vida animal poder-se-á refugiar no fundo mais fresco; durante o inverno a vida animal procurará refúgio no fundo, agora mais quente, mesmo que a superfície do lago se encontre congelada.
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Charco pré-fabricado ou charco construído com tela impermeável?
Nos dias de hoje, em Centros de Jardinagem ou em grandes superfícies de bricolagem, é fácil encontrar à venda charcos pré-fabricados e telas impermeáveis para charcos.
Relativamente aos charcos pré-fabricados, são normalmente de pequenas dimensões e com margens muito inclinadas. Considero que limitam a nossa liberdade criativa, tendo ainda no meu entender um aspeto muito pouco natural. Esta não foi a minha opção.
O meu charco foi construído com tela de borracha, material extremamente flexível, resistente à radiação UV e por isso duradouro. A tela permite total liberdade na forma, dimensão e profundidade do charco. Os charcos construídos com tela têm um aspeto mais natural. As telas podem ser de PVC, borracha ou polietileno. Quanto maior for o charco maior espessura deverá ter a tela. A minha tela tem 1,5 mm de espessura.
Considero que vale a pena investir numa boa tela, peça fundamental no sucesso do charco.
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As dimensões da tela
Existem telas para charco de tamanhos pré-definidos 5X5, 6X6, …. Noutros casos a tela é vendida ao rolo, 5x…, 6x… . Algumas telas permitem a colagem, sendo que nessa situação o lago pode ter teoricamente qualquer dimensão.
Ao efetuar a escavação, atendi às dimensões da tela que tinha comprado. A área de tela a usar será sempre superior à área do espelho de água:
- é necessário uma margem de 70 cm à volta do lago para a projeção da margem;
- a colocação da tela originará sempre a formação de pregas;
- estando o fundo do charco a uma cota inferior à do terreno, a tela é sugada para o interior do lago aquando do enchimento com água.
A existência de uma franja de 70 cm à volta do charco permite a formação de uma barreira de capilaridade, constituída por godo (seixos rolados de pequena dimensão) e calhaus rolados, aspeto de grande importância. A barreira de capilaridade evita que o solo circundante ao lago sugue a água do seu interior.

Comprimento da tela = comprimento do charco + 2xprofundidade+2x70 cm de margem
Largura da tela = largura do charco+2xprofundidade do lago+2x70 cm de margem

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Construção do lago

Escolhi a forma e dimensão do charco atendendo à dimensão da tela que dispunha. De contorno oval, comecei por configurar o limite do charco sobre o terreno, recorrendo a uma mangueira. Podia ter feito o mesmo com uma corda. Seguidamente iniciei o processo de escavação. Entraram em ação a pá, o carro de mão e, como o solo era muito duro, a picareta.



Aquando da escavação, construí terraços para as plantas. Periodicamente, há medida que avancei na escavação, fui estendendo uma corda segundo a largura e segundo o cumprimento do charco, ajustando-a convenientemente ao seu perfil, de forma a assegurar que não eram ultrapassadas as dimensões da tela, incluindo os 70 cm para cada margem.
Para que a superfície da água ficasse nivelada entre as margens, recorri a um nível. Dadas as dimensões do charco, quando usava o nível assentava-o numa régua comprida. Elevei ligeiramente as margens relativamente à cota do terreno, por forma a evitar a entrada de água de escorrência, muitas vezes carregada de nutrientes prejudiciais à qualidade da água.
Uma vez escavado o charco, procedi à limpeza do seu interior, retirando pedras e raízes. Dado que o solo do meu terreno é xistoso, com imensas lascas cortantes de xisto, esta tarefa foi bastante trabalhosa. Uma lasca esquecida e todo o trabalho seria posto a perder.




O passo seguinte foi o revestimento do interior do charco com areia (aprox. 5 cm de espessura). Molhei previamente a areia, por ser dessa forma mais fácil revestir as zonas mais declivosas. Sobre a areia, coloquei uma manta de geotêxtil (o geotêxtil compra-se em superfícies de venda de materiais de construção) que promove uma proteção extra à tela.



Chegou o momento de colocar a tela impermeável. O processo foi facilitado por ter sido feito num dia quente. O calor torna a tela mais maleável, minimizando a formação das inevitáveis pregas. A aplicação da tela implicou a intervenção de outras pessoas, uma por vértice. Ao circular sobre a tela tive o cuidado de usar calçado que não a danificasse. Alguns dos meus ajudantes circularam mesmo descalços.
Existem à venda nos centros de jardinagens telas de fibra de coco. Estas telas dispostas sobre a inestética tela impermeável acabam por escondê-la. Servindo de substrato, facilitam ainda a colonização do charco quer pelas plantas, quer pelos animais. Desconhecendo na altura a existência das mantas de fibras de coco, não as coloquei no meu charco.

Chegou a hora de encher o lago com água. Para que não existissem distensões na tela que encurtassem a sua duração e para que ela se ajustasse na perfeição ao fundo escavado, não coloquei qualquer material dentro do charco, sem que primeiro o mesmo transbordasse de água. Claro que meia dúzia de pedras nos extremos da tela ajudaram a mantê-la esticada enquanto o lago enchia. Quando atestei o meu lago pela primeira vez, tomei nota da leitura do contador antes e depois do enchimento. A diferença permitiu-me saber o volume do charco – aproximadamente 6 metros cúbicos.
Após encher o charco cortei o excesso de tela à sua volta, mantendo os 70 cm correspondentes à barreira da capilaridade. A tela evita também o crescimento de ervas indesejáveis.


Com as sobras da tela criei espaço além margem para algumas plantas de zona pantanosa. Foi só escavar, colocar tela e perfurar com uma forquilha para que existisse neste caso alguma drenagem.
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Plantio
As plantas estão na base do ecossistema aquático, fornecendo oxigénio, alimento, abrigo e local de desova a muitos animais. A presença de plantas é ainda indispensável no combate às indesejáveis algas. Não é de descorar ainda o seu valor estético.
As plantas para o charco não deverão ser compradas em viveiros. A custo zero devem ser colhidas na natureza, evidentemente em áreas não protegidas, minimizando-se dessa forma a contaminação genética e a introdução de espécies exóticas invasoras.



Delimitei com calhaus rolados de grande dimensão um dos extremos do primeiro patamar submerso. O espaço assim delimitado foi preenchido com areia (10-15 cm de espessura). Estava criado o substrato para uma grande variedade de plantas marginais (juncos, lírios, tábuas, caniços, pulgueiras, rabaças, …).


Nos restantes patamares e no fundo do lago, plantei em vasos e em cestos algumas plantas de folha flutuante (Nenúfares, celgas, …). As lentilhas-de-água apareceram sozinhas, talvez agarradas às patas ou às penas de alguma ave.
Para disseminar plantas emersas como a erva-do-peixe-dourado, limitei-me a atá-las a uma pedra, lançando-as depois no interior do charco.
Ao nível da manutenção, no futuro sei que serão necessários desbastes já que a vegetação não deve exceder 1/3 ou mesmo ¼ da superfície da água.
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Últimos retoques / Fixação das margens
As zonas declivosas foram preenchidas com calhaus rolados, do tamanho mínimo de um punho. Areia mais fina, facilmente colonizável pelas plantas, tinha já sido colocada nas zonas de plantação. A bem da qualidade da água, não coloquei terra no interior do lago.



Existem várias opções para fixar a margem de um lago: relva, lajes de pedra ou cimento, godo. No meu charco, pela facilidade de aplicação, optei pela margem de godo. O godo foi aplicado após ter espalhado alguns calhaus rolados na margem, prolongamento dos calhaus que já tinha aplicado no interior, nomeadamente como suporte à margem. Esta situação é facilmente percetível observando os esquemas apresentados mais acima. Penso que esta opção deu um aspeto mais natural ao charco. Parcialmente submersas, coloquei algumas pedras no interior do lago, junto à margem. Estas mini ilhas são agora poiso para as aves que vão beber. Servem ainda de rampa de mergulho às minhas rãs. Extensão da margem, lancei algum godo no interior do charco o que ajudou a disfarçar a existência da tela impermeável. As pregas que a tela formou foram camufladas com calhaus rolados.
Calhaus, areão, godo, pedras, … Sob pena da tela romper, qualquer inerte que se use no charco não poderá ter arestas vivas.
O godo é facilmente arrastado pelo que não convém por norma andar em cima dele. Para facilitar o acesso ao charco construí um passadiço de madeira, elevado relativamente ao terreno - é o meu posto de vigia. Na margem do charco correspondente ao passadiço não deixo crescer qualquer vegetação, o que facilita a sua visualização.



Um charco evolui. O aspeto desolador de um charco recentemente plantado contrasta com o aspeto luxuriante que tem passado um ano.
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A Fauna
Faltava ativar o charco. Para o efeito introduzi-lhe um balde de lodo extraído de um outro charco das redondezas. Estava assim introduzida a semente da vida - seres vivos microscópicos, insetos, anelídeos, crustáceos,…, e respetivos ovos.
Os barqueiros e os alfaiates foram os primeiros animais a ver no lago.



Algum tempo depois, após estar estabelecido o equilíbrio, introduzi no charco algumas rãs-verdes, insetos aquáticos (escorpião de água, libelinha, …) e respetivas larvas, fruto de capturas em massas de água da região. Animais existiram que chegaram sozinhos ao charco– tritão marmoreado, cobra de água viperina, …. Outros, como as aves, vão e veem.
A biodiversidade de um charco é incompatível com a presença de peixes, autênticos glutões. Quem pretender um charco biodiverso, esqueça os peixes.


Um velho tronco de madeira junto à margem, serve de abrigo à bicharada. Procuro neste momento um mais exuberante.

As duas primeiras e as duas últimas imagens deste post, referem-se ao lago um ano e meio após a sua construção.
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Lista de Material necessário à construção do charco:

- Mangueira
- Pá
- Picareta
- Carro de mão
- Régua comprida e nível
- Tela impermeável
- Geotêxtil de proteção à tela
- Areia fina (proteção à tela e plantio)
- Godo
- Calhaus rolados
- Plantas de margem
- Plantas de folhagem submersa
- Plantas de folhagem flutuante
- Balde de lodo
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Lista de Material para a construção do passadiço:

- Barrotes
- Ripas de madeira
- Parafusos
- Parafusadora
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Delicie-se com outras informações sobre charcos em:
Rafael Carvalho / ago2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Exposição Fotográfica: Viver para Voar


Exposição Fotográfica: Viver para Voar
Centro de Ciência Viva do Algarve, Faro
3 a 31 de Agosto

Para mais informações, clique aqui.