quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Caniço (Phragmites australis)


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O caniço é frequente nos locais húmidos da Beira Litoral, província que me viu nascer. Desde miúdo me habituei à sua presença em lagos e lagoas litorais, bem como ao longo da Ria de Aveiro. Possui semelhanças físicas com a exótica e invasora “cana” - Arundo donax, embora tenha menores dimensões.
As imagens que apresento foram obtidas na Lagoa da Vela em agosto de 2012.

O caniçal constitui um habitat de grande importância para a avifauna, fornecendo abrigo, alimento e local de nidificação. O rouxinol-dos-caniços deve o seu nome precisamente à estreita relação que mantém com este habitat.
O caniço é talvez a planta mais usada no tratamento de águas residuais, devido à sua capacidade de remover poluentes orgânicos, metais pesados e hidrocarbonetos.

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Nome vulgar: Caniço; caniço-da-água; caniço-dos-ribeiros; caniço-vulgar
Família botânica: Poaceae
Nome científico: Phragmites australis
Distribuição Geral: cosmopolita
Distribuição em Portugal: vulgar em todo o território, exceto nas zonas de maior altitude
Habitat: o caniço ocorre em locais permanentemente encharcados, podendo tolerar períodos de completa emersão; prefere lagos, lagoas e margens de cursos de água de corrente fraca ou nula, com níveis médios a elevados de nutrientes; tolera alguma salinidade.
Floração: julho - setembro
Características:
Planta vivaz de colmos lenhificados até 4 m de altura; possui rizomas compridos e rastejantes; as suas flores são hermafroditas, dispondo-se em pequenas espigas reunidas em panículas plumosas com comprimento que chega a atingir os 50 cm, frequentemente acastanhadas ou purpúreas; as suas folhas são alternas, largas, lineares a linear-lanceoladas, maiores na parte superior.
Forma extensos caniçais em zonas sob forte pressão antrópica.
Possui potencial ornamental podendo servir para marginar lagos ou cursos de água, especialmente nas suas zonas de ocorrência natural.

Rafael Carvalho / set2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Festival de Observação de Aves 2012, Sagres

Festival de Observação de Aves, 3ª edição
30 de Setembro a 7 de Outubro de 2012
Sagres

Mais informações clicando aqui

Cortiça Nacional Brilha no Serpentine Gallery



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Serpentine Gallery Pavilion com cortiça Amorim apresentado com a maior cobertura mediática de sempre.
 
O Pavilhão estará aberto ao público, em Londres, até 14 de Outubro.
Inaugurado no passado dia 1 de Junho, num evento reportado por 135 jornalistas, a edição deste ano do Serpentine Gallery Pavilion é uma verdadeira montra para a cortiça nacional, tendo a Corticeira Amorim enviado para o efeito mais de 80 m3 de cortiça.
Elemento transversal a todo o espaço subterrâneo do Pavilion, a cortiça foi seleccionada por ser um material que favorece a acústica do espaço e por apresentar características sensoriais distintivas, quer ao nível do tacto quer ao nível do olfacto, conforme comprovam os testemunhos de Herzog e de Meuron: “É suave e quente ao toque, tem um cheiro muito característico e é passível de ser moldada em diferentes geometrias”.
Na inauguração, António Rios de Amorim, Presidente da Corticeira Amorim, revelou-se “muito satisfeito com a projecção que a cortiça assume neste projecto icónico da arquitectura mundial, sendo expectável que desta utilização advenha um maior reconhecimento internacional para a cortiça, uma matéria-prima que nos esforçamos por valorizar diariamente.”
O Pavilion desenhado por Herzog & de Meuron e Ai Weiwei apresenta-se como um lounge de cortiça, de forma circular, com uma estrutura complexa multi-nivelar, na qual proliferam 108 peças de mobiliário de aglomerado expandido de cortiça, desenhado especificamente por Ai Weiwei e por Herzog e de Meuron para este efeito e esculpido manualmente por técnicos da Amorim Isolamentos, com a supervisão da equipa de arquitectos.
O Serpentine Pavilion 2012 foi já adquirido pelos reconhecidos coleccionadores internacionais Usha and Lakshmi N. Mittal e entrará, a partir de 14 de Outubro, para a sua colecção privada.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Fui hoje à Ilha dos Amores

 
O "continente" visto da ilha
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Ponto triplo na foz do rio Paiva, a Ilha dos Amores localiza-se no único vértice comum aos distritos de Aveiro, Viseu e Porto. Aveiro – o meu berço; Viseu – a minha morada; Porto – a terra da minha cara-metade.
A bordo da minha canoa, após uma breve travessia no Douro, deleitei-me na paradisíaca Ilha dos Amores. Nesta ilha não encontrei as sedutoras Nereidas a que se referia Camões nos Lusíadas. Na Ilha dos Amores estão presentes porém todas as delícias da natureza.
Prenhe de biodiversidade, numa área de aproximadamente 5000 metros quadrados, uma ninharia, encontrei um paraíso perdido. No seio de um deserto desgraçadamente eucaliptizado, a Ilha dos Amores é um verdadeiro oásis - o isolamento permitiu que a ilha conservasse a sua vegetação autóctone.
Logo à chegada ao cais fui recebido pela salgueirinha, pelos juncos e salgueiros de diversas espécies. Estas plantas a que se juntam diversos fetos (feto-real incluído), avencas, amieiros, tamargueiras e freixos abundam em todo o perímetro da ilha, junto à linha de àgua.

Salgueirinha - folhas e flores
Tamargueira
 
Na minha deambulação pela ilha vi vários pés de Loendro, espécie autóctone abundante na bacia hidrográfica do Guadiana. Penso que o loendro terá sido aqui introduzido.
Não fosse a riqueza da ilha já de si grande, como se de uma verdadeira bebedeira botânica se tratasse, num exíguo espaço existem géneros botânicos com espécies a dobrar – pinheiro bravo e pinheiro manso; carvalho roble e carvalho negral.
Alcantilados entre grandes blocos graníticos, pinheiros mansos e sobreiros coroam o topo da ilha. Habituado a ver sobreiros circuncisados, com a sua espeça casca parecem-me estranhos estes sobreiros!
 
Sobreiro
 Pinheiros-mansos alcandorados no topo da ilha

Com troncos retorcidos, contornando as rochas como se de bonsais gigantes se tratassem, a presença dos lódãos também se faz notar. A beleza desta árvore é acentuada pelos inúmeros verdes frutos pendentes.
 Lodão - copa
Lodão - fruto

Na ilha existe uma velha construção em ruínas. Junto a ela algumas oliveiras. Há algumas dezenas de anos, quando a albufeira de Crestuma ainda não existia, acredito que a Ilha dos Amores só o fosse durante a invernia, sendo facilmente alcançada a pé durante o estio.
Relativamente ao sub-bosque, vi por lá vários espécimes de sândalo-branco, trovisco, gilbardeira, vinca, giesta, urze, saganho-mouro, aderno, silva e pilriteiro. As amoras e os pilritos disfarçaram-me a fome. Adivinho lá para o Natal a presença de alaranjados frutos nos acúleos da gilbardeira.
Sândalo-branco - fruto
 Trovisco - hábito
 Trovisco - folhas e flores
 Gilbardeira
Aderno
 Silva - frutos
 Silva - Folhas
 Pilriteiro - hábito
Pilriteiro - frutos

Nas clareiras, a beleza da cebola-albarrã deixou-me boquiaberto. 
Cebola-albarrã - hastes florais 
Cebola-albarrã -botões florais
 
Passa um barco-cruzeiro e os turistas de máquina fotográfica em riste disparam em todas as direções. De pé junto a uma fraga aceno a quem passa. Tragicamente, após terem desembolsado algumas centenas de euros, muitos dos turistas que me acenam sairão do Douro sem terem sentido o fresco das suas águas e demais tesouros naturais. Mal sabem eles a preciosidade que guardo a meus pés - um buxo lado a lado com uma zelha. Um e outro presentes no Douro, nunca os tinha visto juntos. Ambos são abundantes na ilha. Quanto ao buxo, autóctone sem sombra de dúvida, é o mesmo que se vê nos jardins formando esculturas vivas, a chamada arte da topiaria.

Zelha - hábito e folha
 Buxo em substrato rochoso
Buxo - folhas
 
No fim ainda houve tempo para um mergulho.
Quem desejar conhecer a ilha dos amores, saiba que se localiza junto à aldeia
do Castelo – Castelo de Paiva. No local, pelo menos durante o verão, existem canoas para alugar.
Visualize a ilha no Google Maps clicando aqui.
Rafael Carvalho / ago2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Juncos na Vela




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À semelhança dos posts anteriores, continuo pela Lagoa da Vela.
Já aqui referi que algumas das espécies marginais (tábuas, caniços, bunhos, …) formam na Vela manchas continuas sem se misturarem. O Junco é mais uma delas.
Com cerca de 30 espécies de juncos no nosso país, relativamente aos exemplares das imagens não arrisco uma identificação.
O disparo da câmara fotográfica foi feita do interior da lagoa para a margem. Os juncos acabaram por se misturar com os seus reflexos. Por detrás dos juncos são visíveis salgueiros, árvores que também marginam a lagoa.
Os juncos são plantas facilmente adaptáveis. Tenho vários no meu lago.
Rafael Carvalho / ago2012

sábado, 25 de agosto de 2012

Capim-serra (Cladium mariscus)




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Para a planta que hoje apresento, não conheço qualquer nome comum usado em Portugal. Os brasileiros chamam-lhe capim-serra, apelido que considero absolutamente adequado - vou "pegar" este nome emprestado. As suas folhas duras e cortantes atuam como autênticas lâminas. Entre mergulhos na Lagoa da Vela (concelho da Figueira da Foz), em miúdo, menos cauteloso, várias vezes me cortei nesta planta. As imagens acima expostas foram obtidas este verão na referida Lagoa.
Em Portugal penso que o capim-serra não será muito frequente. Não consta dos registos da "Flora Digital", base de dados a que com frequência recorro.
Introduzi sem grande sucesso o capim-serra no lago do meu jardim. Não morreu mas também não se desenvolveu - é a natureza do Alto-Douro a rejeitar o que não lhe pertence.
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Nome vulgar: não conhecido para Portugal
Família botânica: Cyperaceae
Nome científico: Cladium mariscus
Distribuição Geral:
Distribuição em Portugal: Centro e Sul do país. O "Flora On" identifica a sua presença na Lagoa da Vela - Fig. da Foz e em alguns locais perto da Serra da Arrábida como sendo a Lagoa de Albufeira.
Habitat: margem de lagoas e locais pantanosos não distantes do litoral
Floração: Maio - Setembro
Características:
Planta herbácea vivaz, rizomatosa e robusta com 1 a 2 m de altura. Possui folhas duras e muito ásperas nos bordos, cortantes, compridas e largamente lineares, serrilhado-denticuladas nas margens. As suas Inflorescências são muito ramificadas, terminando cada uma num grupo denso e arredondado. Os seus frutos são castanho-brilhantes.
Possui potencial ornamental pela sua corpulência, robustez e beleza das suas inflorescências. Pode servir para marginar lagos especialmente nas suas zonas de ocorrência natural.
Rafael Carvalho / ago2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Lagoa da Vela - um paraíso no litoral central









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As imagens que hoje apresento obtive-as este verão na Lagoa da Vela, concelho da Figueira da Foz. Lagoa da Vela, Lagoa das Braças, Lagoa da Salgueira… Desde miúdo que pelo menos uma visita anual a estes locais é para mim obrigatória. Como possuo uma canoa, consigo ter um contacto mais próximo com estes espelhos de água.
Sobre solo arenoso, a água da Lagoa da Vela corresponde à superfície freática. Do lado oceânico a lagoa confronta com as matas nacionais dominadas pelo pinheiro-bravo, estabelecidas sobre dunas estabilizadas. Do lado continental a lagoa confronta com terrenos agrícolas constituídos sobre areias eólicas sem estrutura dunar.
Na água os tapetes de nenúfar-branco saltam à vista. Nas margens, sem se misturarem, são visíveis manchas de tábuas, bunho, caniço, Junco e Cladium mariscus. A tanchagem-da-água, a salgueirinha, a erva-pessegueira, várias espécies de ranúnculos e a hortelã-da-água também marcam presença. Infelizmente a invasora pinheirinha também.
Entre árvores e arbustos ribeirinhos, na Lagoa da Vela constam salgueiros e amieiros.
Rafael Carvalho / ago2012