segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tabua (Typha sp.)


 

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Não consigo imaginar um lago ou um curso de água de corrente fraca sem a presença da tabua. As suas flores em forma de espiga são inconfundíveis. Sobre um cilindro inferior de cor canela - a espiga feminina, um outro cilindro mais pequeno - a espiga masculina. A floração dá-se de Maio a Agosto. O meu filho diz que a tabua tem um chouriço em cima.
São várias as espécies de tabuas presentes no território nacional: Typha angustifolia; Typha latifolia; Typha domingensis…  A distinção entre elas não é fácil.
Tratam-se as tabuas de ervas palustres vivazes, emersas, com rizomas rastejantes subaquáticos. Os seus caules são simples. As folhas são lineares e planas.
Crescem em pântanos, valas e margens de linhas de água de corrente fraca. Toleram pequenos períodos de secura. Podem formar comunidades densas – os chamados tabuais.
Dependendo da espécie, as tábuas podem ultrapassar os 3 m de altura.
Das raízes às flores, segundo parece, são comestíveis.
As duas primeiras fotografias obtive-as no meu lago. A última fotografia retrata um tabual na Lagoa da Vela, concelho da Figueira da Foz.
Usadas em lagos de jardim as tabuas têm um grande interesse ornamental. Necessitam contudo de mondas frequentes por se revelarem extremamente colonizadoras.
Rafael Carvalho / set2012

 

domingo, 9 de setembro de 2012

Floresta Lusa

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Vamos todos recuperar as espécies autóctones da Floresta Portuguesa: os pinheiros, os carvalhos, o sobreiro, a azinheira, o freixo, o teixo, o azereiro, o cedro, o amieiro, entre outras.
Mais informações clicando aqui.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

As aves rupícolas e aquáticas | Fim-de-semana Europeu de Observação de Aves



A SPEA junta-se mais uma vez à organização, em Portugal, do Fim de semana Europeu de Observação de Aves/EuroBirdwatch 2012, organizado anualmente pela BirdLife International desde 1993. Participe nas atividades da SPEA e dos parceiros e junte-se aos milhares de europeus fascinados pelas aves e pela migração.


Organização: Associação Transumância e Natureza; Quercus Guarda; Associação Transcudânia
Locais: Reserva da Faia Brava e Barragem de Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo)

Data: 06/Out/2012

Mais informações

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Caniço (Phragmites australis)


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O caniço é frequente nos locais húmidos da Beira Litoral, província que me viu nascer. Desde miúdo me habituei à sua presença em lagos e lagoas litorais, bem como ao longo da Ria de Aveiro. Possui semelhanças físicas com a exótica e invasora “cana” - Arundo donax, embora tenha menores dimensões.
As imagens que apresento foram obtidas na Lagoa da Vela em agosto de 2012.

O caniçal constitui um habitat de grande importância para a avifauna, fornecendo abrigo, alimento e local de nidificação. O rouxinol-dos-caniços deve o seu nome precisamente à estreita relação que mantém com este habitat.
O caniço é talvez a planta mais usada no tratamento de águas residuais, devido à sua capacidade de remover poluentes orgânicos, metais pesados e hidrocarbonetos.

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Nome vulgar: Caniço; caniço-da-água; caniço-dos-ribeiros; caniço-vulgar
Família botânica: Poaceae
Nome científico: Phragmites australis
Distribuição Geral: cosmopolita
Distribuição em Portugal: vulgar em todo o território, exceto nas zonas de maior altitude
Habitat: o caniço ocorre em locais permanentemente encharcados, podendo tolerar períodos de completa emersão; prefere lagos, lagoas e margens de cursos de água de corrente fraca ou nula, com níveis médios a elevados de nutrientes; tolera alguma salinidade.
Floração: julho - setembro
Características:
Planta vivaz de colmos lenhificados até 4 m de altura; possui rizomas compridos e rastejantes; as suas flores são hermafroditas, dispondo-se em pequenas espigas reunidas em panículas plumosas com comprimento que chega a atingir os 50 cm, frequentemente acastanhadas ou purpúreas; as suas folhas são alternas, largas, lineares a linear-lanceoladas, maiores na parte superior.
Forma extensos caniçais em zonas sob forte pressão antrópica.
Possui potencial ornamental podendo servir para marginar lagos ou cursos de água, especialmente nas suas zonas de ocorrência natural.

Rafael Carvalho / set2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Festival de Observação de Aves 2012, Sagres

Festival de Observação de Aves, 3ª edição
30 de Setembro a 7 de Outubro de 2012
Sagres

Mais informações clicando aqui

Cortiça Nacional Brilha no Serpentine Gallery



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Serpentine Gallery Pavilion com cortiça Amorim apresentado com a maior cobertura mediática de sempre.
 
O Pavilhão estará aberto ao público, em Londres, até 14 de Outubro.
Inaugurado no passado dia 1 de Junho, num evento reportado por 135 jornalistas, a edição deste ano do Serpentine Gallery Pavilion é uma verdadeira montra para a cortiça nacional, tendo a Corticeira Amorim enviado para o efeito mais de 80 m3 de cortiça.
Elemento transversal a todo o espaço subterrâneo do Pavilion, a cortiça foi seleccionada por ser um material que favorece a acústica do espaço e por apresentar características sensoriais distintivas, quer ao nível do tacto quer ao nível do olfacto, conforme comprovam os testemunhos de Herzog e de Meuron: “É suave e quente ao toque, tem um cheiro muito característico e é passível de ser moldada em diferentes geometrias”.
Na inauguração, António Rios de Amorim, Presidente da Corticeira Amorim, revelou-se “muito satisfeito com a projecção que a cortiça assume neste projecto icónico da arquitectura mundial, sendo expectável que desta utilização advenha um maior reconhecimento internacional para a cortiça, uma matéria-prima que nos esforçamos por valorizar diariamente.”
O Pavilion desenhado por Herzog & de Meuron e Ai Weiwei apresenta-se como um lounge de cortiça, de forma circular, com uma estrutura complexa multi-nivelar, na qual proliferam 108 peças de mobiliário de aglomerado expandido de cortiça, desenhado especificamente por Ai Weiwei e por Herzog e de Meuron para este efeito e esculpido manualmente por técnicos da Amorim Isolamentos, com a supervisão da equipa de arquitectos.
O Serpentine Pavilion 2012 foi já adquirido pelos reconhecidos coleccionadores internacionais Usha and Lakshmi N. Mittal e entrará, a partir de 14 de Outubro, para a sua colecção privada.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Fui hoje à Ilha dos Amores

 
O "continente" visto da ilha
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Ponto triplo na foz do rio Paiva, a Ilha dos Amores localiza-se no único vértice comum aos distritos de Aveiro, Viseu e Porto. Aveiro – o meu berço; Viseu – a minha morada; Porto – a terra da minha cara-metade.
A bordo da minha canoa, após uma breve travessia no Douro, deleitei-me na paradisíaca Ilha dos Amores. Nesta ilha não encontrei as sedutoras Nereidas a que se referia Camões nos Lusíadas. Na Ilha dos Amores estão presentes porém todas as delícias da natureza.
Prenhe de biodiversidade, numa área de aproximadamente 5000 metros quadrados, uma ninharia, encontrei um paraíso perdido. No seio de um deserto desgraçadamente eucaliptizado, a Ilha dos Amores é um verdadeiro oásis - o isolamento permitiu que a ilha conservasse a sua vegetação autóctone.
Logo à chegada ao cais fui recebido pela salgueirinha, pelos juncos e salgueiros de diversas espécies. Estas plantas a que se juntam diversos fetos (feto-real incluído), avencas, amieiros, tamargueiras e freixos abundam em todo o perímetro da ilha, junto à linha de àgua.

Salgueirinha - folhas e flores
Tamargueira
 
Na minha deambulação pela ilha vi vários pés de Loendro, espécie autóctone abundante na bacia hidrográfica do Guadiana. Penso que o loendro terá sido aqui introduzido.
Não fosse a riqueza da ilha já de si grande, como se de uma verdadeira bebedeira botânica se tratasse, num exíguo espaço existem géneros botânicos com espécies a dobrar – pinheiro bravo e pinheiro manso; carvalho roble e carvalho negral.
Alcantilados entre grandes blocos graníticos, pinheiros mansos e sobreiros coroam o topo da ilha. Habituado a ver sobreiros circuncisados, com a sua espeça casca parecem-me estranhos estes sobreiros!
 
Sobreiro
 Pinheiros-mansos alcandorados no topo da ilha

Com troncos retorcidos, contornando as rochas como se de bonsais gigantes se tratassem, a presença dos lódãos também se faz notar. A beleza desta árvore é acentuada pelos inúmeros verdes frutos pendentes.
 Lodão - copa
Lodão - fruto

Na ilha existe uma velha construção em ruínas. Junto a ela algumas oliveiras. Há algumas dezenas de anos, quando a albufeira de Crestuma ainda não existia, acredito que a Ilha dos Amores só o fosse durante a invernia, sendo facilmente alcançada a pé durante o estio.
Relativamente ao sub-bosque, vi por lá vários espécimes de sândalo-branco, trovisco, gilbardeira, vinca, giesta, urze, saganho-mouro, aderno, silva e pilriteiro. As amoras e os pilritos disfarçaram-me a fome. Adivinho lá para o Natal a presença de alaranjados frutos nos acúleos da gilbardeira.
Sândalo-branco - fruto
 Trovisco - hábito
 Trovisco - folhas e flores
 Gilbardeira
Aderno
 Silva - frutos
 Silva - Folhas
 Pilriteiro - hábito
Pilriteiro - frutos

Nas clareiras, a beleza da cebola-albarrã deixou-me boquiaberto. 
Cebola-albarrã - hastes florais 
Cebola-albarrã -botões florais
 
Passa um barco-cruzeiro e os turistas de máquina fotográfica em riste disparam em todas as direções. De pé junto a uma fraga aceno a quem passa. Tragicamente, após terem desembolsado algumas centenas de euros, muitos dos turistas que me acenam sairão do Douro sem terem sentido o fresco das suas águas e demais tesouros naturais. Mal sabem eles a preciosidade que guardo a meus pés - um buxo lado a lado com uma zelha. Um e outro presentes no Douro, nunca os tinha visto juntos. Ambos são abundantes na ilha. Quanto ao buxo, autóctone sem sombra de dúvida, é o mesmo que se vê nos jardins formando esculturas vivas, a chamada arte da topiaria.

Zelha - hábito e folha
 Buxo em substrato rochoso
Buxo - folhas
 
No fim ainda houve tempo para um mergulho.
Quem desejar conhecer a ilha dos amores, saiba que se localiza junto à aldeia
do Castelo – Castelo de Paiva. No local, pelo menos durante o verão, existem canoas para alugar.
Visualize a ilha no Google Maps clicando aqui.
Rafael Carvalho / ago2012