terça-feira, 30 de outubro de 2012

Já fiz a poda…

 
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A imagem revela um pormenor da minha ramada. Frente à cozinha, estende-se pelo pátio.
Com a barba feita no inverno, a videira torna-se transparente, permitindo em casa  a entrada dos desejados raios solares. Em tempo de crise, agradeço a luz e o calor do sol. Os raios do astro rei por enquanto ainda não pagam imposto.
Já no verão, cabeleira reposta, agradeço a sombra da ramada. A evapotranspiração dá um contributo adicional para manter a desejada frescura. Ar condicionado pois, mais uma vez a custo zero! E que bem me sabe nas quentes tardes de verão…
Rafael Carvalho / out2012

sábado, 27 de outubro de 2012

Olhando o céu…

  

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Aproveitei um breve interregno neste chuvoso outono para observar o céu.
Os meus Quercus já há muito têm vontade de o rasgar. Só de pensar que as bolotas que lhes deram origem me cabiam no bolso!...
Relativamente ao nosso território, referia-se Estrabão, geógrafo grego, como a terra das bolotas. As descrições então feitas revelam a profusão e diversidade de quercíneas aqui existentes, fonte de alimento de homens e animais - “...três quartas partes do ano alimentam-se sempre com bolotas secas, partidas e esmagadas, com as quais fazem um pão que se conserva muito tempo...”
A primeira das minhas imagens é de um carvalho roble - Quercus robur. A segunda é de um sobreiro – Quercus suber.
Rafael Carvalho

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pilriteiro (Crataegus monogyna)






 
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Entre monoculturas de pinheiro e eucalipto, a vegetação nativa da Beira Litoral dificilmente consegue sobreviver. No seio das espécies constituintes da vegetação nativa, o pilriteiro contudo revela-se superplástico, adaptando-se com facilidade aos mais diversos ambientes. Nascido e criado na Beira Litoral, não admira pois que os meus olhos se voltassem desde muito cedo para o pilriteiro. Diga-se de passagem que com a sua intensa floração e vigorosa frutificação, difícil é nele não reparar. Quanto aos rubros frutos do pilriteiro, lembram-me as bolas pendentes na árvore de Natal.
Entre os arbustos autóctones, o pilriteiro é dos meus preferidos. Chegado ao Alto-douro onde atualmente resido, o meu encanto pelo pilriteiro redobrou. Sua majestade, altivo no seio dos matos durienses, aqui o pilriteiro é rei e senhor.
Na hora de construir um jardim no Douro, lá coloquei eu os pilriteiros na linha da frente – alguns foram obtidos por transplante, outros por sementeira, no outono. Os exemplares transplantados foram recolhidos, digo salvos, da berma da estrada, em local regularmente rapado pela “brigada da roçadora”.
Pelo seu pequeno porte, o pilriteiro ajusta-se facilmente a todos os espaços. Adapta-se facilmente a diversos climas, a diferentes exposições solares e a vários tipos de solo. Na primavera possui uma intensa floração que alegra os espaços e impregna o ar com o seu doce odor. Os rubros frutos são um consolo para o olhar e uma guloseima para a passarada. O fruto – o pilrito - é comestível e quando passo por um pilriteiro não resisto. Reconheço que para os padrões humanos não se trata propriamente de um petisco mas, em tempo de crise…
A segunda e a última fotografia que ilustra este post foi capturada no meu jardim. As restantes trouxe-as da Ilha dos Amores – Castelo de Paiva.
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Nome vulgar: pilriteiro, pirliteiro, cambrulheiro, escambrulheiro, espinha-branca, cambroeira, espinheiro-alvar, espinheiro-branco, espinheiro-ordinário, estrapoeiro, estrepeiro, abronceiro, escalheiro.
Família botânica: Rosaceae.
Nome científico: Crataegus monogyna.
Distribuição Geral: quase toda a Europa, norte de África e Ásia.
Distribuição em Portugal: Vulgar em todo o território, até 1600 m, mais raro no Sudeste do país.
Habitat: Cresce em sebes, matagais, clareiras, orlas de bosques e galerias ripícolas, tolerando sítios sombrios.
Floração: fevereiro – julho
Características: Arbusto ou subarbusto de 2 a 4 m de altura, podendo contudo atingir os 10 metros. Caducifólio e espinhoso, possui copa arredondada. A casca do seu tronco é castanha e fendida. As suas folhas com pecíolo comprido são simples e alternas, lobadas e sem pelos.
As flores são brancas ou rosadas, reunidas em corimbos. O fruto é um pomo vermelho, com um caroço único e com polpa farinhosa comestível. Os seus frutos amadurecem de setembro a outubro.
Indiferente ao pH, tolera diversos tipos de solo, preferindo contudo solos soltos e frescos. Dá-se bem em climas quentes e resiste bem às geadas.
Pela profusão de flores e frutos é muito ornamental. O pilriteiro promove a biodiversidade no jardim - é uma importante fonte de alimento para larvas de muitas espécies de insetos; os seus frutos são alimento para muitas espécies de aves; é muito atrativo para as aves também pelo abrigo que lhes confere. Utiliza-se para formar sebes espinhosas, defensivas, resistindo bem às podas. É adequado para zonas urbanas poluídas.
Rafael Carvalho / out2012

sábado, 20 de outubro de 2012

Pilriteiro do meu jardim – árvore de Natal antecipada


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No meu jardim, os pilriteiros já vão festejando a aproximação do Natal!...
Quanto a mim, preparo para o próximo post uma ficha de identificação desta bela espécie botânica.
Rafael Carvalho / out2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Frutos da roselha-grande

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A primavera é a estação das flores, o outono a estação dos frutos.
Na primavera passada, publiquei
algumas fotografias das roselhas (Cistus albidus) do meu jardim. Na altura as roselhas estavam em flor. Agora apresento os seus frutos.
Apesar da imagem não ter o colorido da primavera, não deixa de ser menos bela. Dos frutos sairão as sementes. Espero continuar a contribuir para a manutenção da biodiversidade local.
Rafael Carvalho / set 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

Silvas no jardim?!#... Porque não?!


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Do género Rubus, são várias as espécies de silvas nativas no nosso país. Tantas são que não me atrevo a identificar o espécime das imagens. Garanto contudo que os seus frutos são deliciosos.
As silvas propagam-se naturalmente por semente. Como os seus ramos ganham raízes laterais, facilmente dão origem a novos pés. Quando não devidamente controladas, as silvas tornam-se infestantes, formando os denominados silvados.
Após plantar um ou dois pés no fim do inverno, preferencialmente num canto soalheiro, a silva não precisa de cuidados especiais. Dispensa a rega e tolera diferentes tipos de solo.
Como é costume no nosso país, desprezamos o que é nosso. Países existem (Suíça, Inglaterra, …) onde as silvas são cultivadas como qualquer outro arbusto de baga – mirtilo, groselha, framboesa…, formando verdadeiras sebes gulosas. Curiosamente também por cá é relativamente vulgar cultivar a framboesa, um parente muito próximo da silva.
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Este verão fiz uma visita à Reserva Natural da Faia Brava, no vale do Côa. Dizia-me a guia que me acompanhou que um ponto alto nos campos de trabalho que desenvolvem no verão coincide com a apanha das amoras, verdadeira recompensa para os voluntários/visitantes.
As silvas têm um longo período de produção. No mesmo cacho são visíveis bagas negras completamente maduras, ao lado de outras ainda imaturas, de vermelho pintadas.
No supermercado as amoras são compradas com valores que rondam os 10€/Kg. A custo zero, colhidas e comidas diretamente da planta têm outro sabor. As amoras frescas devem ser comidas no próprio dia da colheita, mas também podem ser congeladas ou enfrascadas em conserva. As amoras podem ainda ser usadas em molhos, bolos e gelados. Pelo que parece também há licor de amora.
As amoras no jardim, para além de estarem mais à mão do que as colhidas no campo, são por norma maiores. Podem ser cultivadas em sebe, o que exige muito espaço mas ajuda a afastar os intrusos, ou guiadas entre postes aramados horizontalmente, o que facilita a condução e a poda/controlo. No outono devem ser cortados os caules de fruto já antigos.
Rafael Carvalho / out2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vincas à vista, no meu jardim …


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Os muros de pedra fazem parte da nossa paisagem cultural, são suporte de vida e também os tenho no meu jardim. Porém, um dos extremos da minha propriedade contacta diretamente com o caminho público. A separação entre público e privado é, nesta menos soalheira parte do jardim, apenas feita por uma linha de disciplinados mecos de madeira. A opção de cobertura do solo passou pela nossa autóctone vinca (Vinca major), ainda em fase de implantação.
 
A plantação foi precedida por uma experiência bem-sucedida, efetuada um ano antes. É dessa experiência a imagem da segunda fotografia. Usando um compasso de 75 cm, lançando estolhos em todas as direções, as inicialmente débeis vincas cobriram totalmente o solo.
Tolerando bem a sombra, as vincas revelam-se excelentes plantas de cobertura. Não deixando nem espaço nem luz para as ervas daninhas, poupa o jardineiro na manutenção. Diz quem percebe do assunto que periodicamente os tapetes de vinca devem ser rossados, para assim serem rejuvenescidos.
Como a esmagadora maioria das plantas do meu jardim, adquiri a custo zero as minhas vincas no viveiro da berma da estrada. Na marginal do Douro entre a Régua e o Pinhão, bastou-me uma paragem de ½ hora. Com grande poder colonizador, o meu estrago não passou de um arranhão, entretanto já reposto. Agora no meu jardim, as vincas têm oportunidade de gerar novas colónias, dispersando as suas sementes pela região.
Rafael Carvalho / out2012