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Relativamente ao meu jardim, gosto de partilhar os meus sucessos. Julgo contudo também vantajoso expor as minhas experiências negativas, contribuindo para que outros não passem por elas.
Após ter construído o meu charco, para uma rápida instalação, colonizei-o artificialmente. Consciente da problemática das invasões biológicas, a colonização foi feita com plantas e animais recolhidos nos habitats aquáticos mais próximos. Trazidos da Beira Litoral, minha região de origem, os nenúfares foram a única exceção.
Há talvez dois anos, numa incursão a um curso de água próximo, detetei a presença de lagostins. Conhecia os lagostins presentes na Beira Litoral – lagostins vermelhos da Louisiana. Estes pareciam-me diferentes. Tinha conhecimento histórico de no Alto-Douro existirem os chamados lagostins-de-pés-brancos, uma espécie autóctone. Transportei meia dúzia de lagostins para o meu lago.
Ora este ano e nesta primavera comecei a verificar que os meus nenúfares tinham folhas e flores bastante roídas. Outras espécies de plantas tinham simplesmente desaparecido. Também verifiquei existirem rãs com as patas mordidas (conferir imagem acima). Quando numa noite observava o charco com uma lanterna, conclui já não ter apenas meia dúzia de lagostins – tinham-se reproduzido. Alguns dos lagostins presentes tinham grandes dimensões. Quando os capturei ainda pequenotes tinham o exosqueleto descolorado, provavelmente por terem mudado recentemente de “casca” – fui irresponsável, deixei-me enganar. Afinal eram lagostins vermelhos da Louisiana, uma espécie invasora.
Felizmente, os lagostins vieram de um curso de água próximo. Já instalados na região, não quero contudo contribuir para a sua dispersão.
Para me ver livre dos lagostins, vazei o lago - mantive-o seco toda a semana passada. Espero que esta ação seja suficiente para eliminar os lagostins em todos os estágios de desenvolvimento. Secar o lago agora no verão minimiza a possibilidade de dispersão dos lagostins pela região.
Entre os lagostins que fui apanhando à lanterna e os que apanhei quando vazei o lago, contei aproximadamente 50. Não havia juvenis nem fêmeas com ovos presos. Os lagostins aguardam agora na arca congeladora pelo próximo arroz de marisco.
Quanto às rãs, aquando da secagem do charco capturei nove, só duas delas sem qualquer lesão induzida pelos lagostins.
Por não ter condições de alojamento à altura, as rãs capturadas foram devolvidas a uma ribeira próxima.
No passado fim-de-semana enchi finalmente o charco, que aparentava estar totalmente desidratado. Curiosamente, à exceção de uma menta-de-água que aparentemente morreu, as restantes plantas resistiram bem à secagem do charco. Para minimizar a hipótese dos vasos dos nenúfares albergarem algum hóspede indesejado, os nenúfares depois de bem lavados foram reenvazados com terra nova.
No dia em que enchi o charco, aparentemente do nada surgiram três rãs – tinham sobrevivido a uma semana sem água. Espero que a mesma sorte não tenham tido os lagostins.
Tenho saudades do coaxar das rãs, música que certamente há-de voltar.
Rafael Carvalho / jul2013

