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Em miúdo, habituei-me à presença do rosmaninho nas areias do litoral central. Quando mudei de armas e bagagens para o Alto-Douro, onde atualmente vivo, não estranhei pois a sua presença.
Pedem-me por vezes opiniões sobre que plantas usar nos jardins – o rosmaninho surge no topo da lista. Aromático, o rosmaninho possui um grande valor estético; resiste à geada no inverno e à seca no verão; tem valor medicinal, etnobotânico e culinário; fornece sementes a uma miríade de aves; espécie bastante melífera atrai insetos úteis para a horta e para o jardim.
Sobre as plantas do meu jardim tenho bastantes histórias e os meus rosmaninhos não são exceção. Há tempos pediu-me um vizinho uns pés de rosmaninho. Como no momento não tinha nenhum exemplar excedentário indiquei-lhe o lugar no monte onde os podia ir buscar. Ficou ofendido o meu interlocutor - dizia ele que não queria rosmaninhos mirrados do monte mas sim rosmaninhos mimosos de jardim. Mal sabia ele que uns e outros eram irmãos, também eu ao monte os fui buscar.
Sem qualquer outro mimo, apenas libertos de plantas concorrentes, crescem bastante viçosos os rosmaninhos do meu jardim…
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Nome vulgar: rasmonino; rosmaninho; rasmano; arçã; lavândula.
Família botânica: Lamiaceae.
Nome científico: Lavandula stoechas.
Distribuição Geral: região mediterrânica
Distribuição em Portugal: distribui-se por todo o território continental, com especial relevo nas regiões de clima mediterrânico.
Habitat: terrenos incultos e matagais, por vezes dominante, originando rosmaninhais; de grande amplitude ecológica, surge quer em dunas litorais quer no interior do país em zonas secas e expostas, com solos pobres e ácidos, com origem em areias, xistos ou granitos.
Floração: março a setembro.
Características:
De folhagem persistente, o rosmaninho é um pequeno arbusto lenhoso, facilmente identificável pelo aroma e pelas espigas violetas que lhe coroam a copa. Estas espigas, compostas por pequenas flores tubulares e labiadas, inserem-se entre brácteas, estando o conjunto rematado, em jeito de penacho, por três longas brácteas de cor violeta. A altura do rosmaninho ronda por norma os 20 a 30 cm, podendo atingir contudo os 150 cm quando cultivado ou, em estado natural, quando compete em altura com outras plantas. O seu caule é direito, ascendente ou prostrado. As folhas do rosmaninho são verde-prateadas, estreitas e mais ou menos aveludadas, inteiras, quase lineares. O seu fruto é um aquénio.
Aromático, adaptado ao seco verão mediterrânico e à geada no inverno, o rosmaninho nos últimos anos têm vindo a conquistar terreno às espécies exóticas de lavandas. O mesmo já sucede há anos no mundo do paisagismo anglo-saxónico, onde os portuguesíssimos rosmaninho (L. stoechas) e rosmaninho-verde (L. viridis) são espécies estimadas. O rosmaninho tolera solos pobres e ventos fortes. É um tipo de lavanda com folhagem verde-acinzentada, muito decorativa. De março a setembro dá flores magníficas de cor violeta. Sem qualquer intervenção, o rosmaninho envelhece muito precocemente. Uma poda intensa no outono, mantem a planta compacta e favorece o seu rejuvenescimento. Servindo de alimento e abrigo a uma diversificada fauna silvestre, o rosmaninho contribui para o incremento da biodiversidade no jardim. O rosmaninho pode ser propagado por sementeira ou por estaca na primavera. Também é fácil de reproduzir por alporquia.
Rafael Carvalho / ago2013