domingo, 25 de agosto de 2013

Vegetação das Ribeiras do Algarve - Folheto CCDR/Alg


+
No seguimento do último post, apresento o folheto relativo à vegetação das Ribeiras do Algarve. Com as devidas adaptações no que às espécies de flora autóctone diz respeito, os princípios aí presentes podem ser aplicados em todo o território nacional.
Obtenha o folheto em versão pdf clicando aqui.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Jardins do Algarve - Folheto CCDR/Alg


+
Para o Portugal Mediterrânico, o presente folheto constitui para mim uma verdadeira inspiração no que respeita ao planeamento e gestão dos jardins.
Obtenha-o em versão pdf clicando aqui.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Rosmaninho (Lavandula stoechas)







+
Em miúdo, habituei-me à presença do rosmaninho nas areias do litoral central. Quando mudei de armas e bagagens para o Alto-Douro, onde atualmente vivo, não estranhei pois a sua presença.
Pedem-me por vezes opiniões sobre que plantas usar nos jardins – o rosmaninho surge no topo da lista. Aromático, o rosmaninho possui um grande valor estético; resiste à geada no inverno e à seca no verão; tem valor medicinal, etnobotânico e culinário; fornece sementes a uma miríade de aves; espécie bastante melífera atrai insetos úteis para a horta e para o jardim.
Sobre as plantas do meu jardim tenho bastantes histórias e os meus rosmaninhos não são exceção. Há tempos pediu-me um vizinho uns pés de rosmaninho. Como no momento não tinha nenhum exemplar excedentário indiquei-lhe o lugar no monte onde os podia ir buscar. Ficou ofendido o meu interlocutor - dizia ele que não queria rosmaninhos mirrados do monte mas sim rosmaninhos mimosos de jardim. Mal sabia ele que uns e outros eram irmãos, também eu ao monte os fui buscar.
Sem qualquer outro mimo, apenas libertos de plantas concorrentes, crescem bastante viçosos os rosmaninhos do meu jardim…
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Nome vulgar: rasmonino; rosmaninho; rasmano; arçã; lavândula.
Família botânica: Lamiaceae.
Nome científico: Lavandula stoechas.
Distribuição Geral: região mediterrânica
Distribuição em Portugal: distribui-se por todo o território continental, com especial relevo nas regiões de clima mediterrânico.
Habitat: terrenos incultos e matagais, por vezes dominante, originando rosmaninhais; de grande amplitude ecológica, surge quer em dunas litorais quer no interior do país em zonas secas e expostas, com solos pobres e ácidos, com origem em areias, xistos ou granitos.
Floração: março a setembro.
Características:

De folhagem persistente, o rosmaninho é um pequeno arbusto lenhoso, facilmente identificável pelo aroma e pelas espigas violetas que lhe coroam a copa. Estas espigas, compostas por pequenas flores tubulares e labiadas, inserem-se entre brácteas, estando o conjunto rematado, em jeito de penacho, por três longas brácteas de cor violeta. A altura do rosmaninho ronda por norma os 20 a 30 cm, podendo atingir contudo os 150 cm quando cultivado ou, em estado natural, quando compete em altura com outras plantas. O seu caule é direito, ascendente ou prostrado. As folhas do rosmaninho são verde-prateadas, estreitas e mais ou menos aveludadas, inteiras, quase lineares. O seu fruto é um aquénio. 

Aromático, adaptado ao seco verão mediterrânico e à geada no inverno, o rosmaninho nos últimos anos têm vindo a conquistar terreno às espécies exóticas de lavandas. O mesmo já sucede há anos no mundo do paisagismo anglo-saxónico, onde os portuguesíssimos rosmaninho (L. stoechas) e rosmaninho-verde (L. viridis) são espécies estimadas. O rosmaninho tolera solos pobres e ventos fortes. É um tipo de lavanda com folhagem verde-acinzentada, muito decorativa. De março a setembro dá flores magníficas de cor violeta. Sem qualquer intervenção, o rosmaninho envelhece muito precocemente. Uma poda intensa no outono, mantem a planta compacta e favorece o seu rejuvenescimento. Servindo de alimento e abrigo a uma diversificada fauna silvestre, o rosmaninho contribui para o incremento da biodiversidade no jardim. O rosmaninho pode ser propagado por sementeira ou por estaca na primavera. Também é fácil de reproduzir por alporquia.

Rafael Carvalho / ago2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Prado florido, um desejo para o meu jardim (IV)…



+
Quando circulo pela minha região, com formato de esfera encantam-me as inflorescências do turbit-da-terra (Thapsia villosa).
Ruderal, o turbit-da-terra é no Alto-Douro facilmente encontrado nas bermas de estrada e noutros terrenos periodicamente perturbados.
O Douro é uma região onde em poucos quilómetros a altitude varia algumas centenas de metros. Para a mesma espécie, não é pois difícil encontrar junto ao rio plantas com sementes maduras e no planalto outras em início de floração – foi assim que enfeitei o meu prato.
Turbit-da-terra, mais uma planta a integrar o banco de sementes com que, no meu jardim, enriquecerei o meu prado.
Rafael Carvalho / ago2013

domingo, 11 de agosto de 2013

Palmeira-anã (Chamaerops humilis)





+
Chamaerops humilisChamaerops deriva da junção de duas palavras gregas cujo significado é "arbusto" e "anão"; humilis do latim "humilde".

A palmeira-anã foi das primeiras plantas a criar em mim a sensação de fascínio. Miúdo, na altura residente no Norte da Beira Litoral, Portugal atlântico portanto, habituado a ver palmeiras pela televisão apenas em destinos tropicais, como poderia suspeitar da presença de palmeiras autóctones no nosso território?
Pois para lá da serra algarvia existem palmeiras. E não são só as palmeiras exóticas presentes nos empreendimentos turísticos. A palmeira-anã existente no barrocal e no litoral algarvio é a única palmeira nativa da Europa.
O fascínio continuou a perdurar. Há catorze anos, quando pela primeira vez fui ao Algarve, mesmo sem ter jardim trouxe de lá uma palmeira-anã. Aguardou envasada dez anos pelo meu jardim autóctone.
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Nome vulgar: Palmeira-anã; Palmito; Palmeira-das-vassouras; Palmeira-vassoureira; Palma; Palmeira-de-leque-da-europa; Palmito-espanhol; Leque-do-mediterrâneo.
Família botânica: Arecaceae.
Nome científico: Chamaerops humilis.
Distribuição Geral: margens africana e europeia da região mediterrânica ocidental.
Distribuição em Portugal: Algarve; pontualmente no litoral alentejano e na Serra da Arrábida.
Habitat: matagais; terrenos soalheiros, incultos, secos e pedregosos, muitas vezes em arribas litorais. Indiferente edáfica surge no Algarve em solos arenosos compactos, calcários ou xistosos.
Floração: março a maio.

Características:
A palmeira anã é uma planta dióica. A sua inflorescência é amarela, disposta entre as folhas. A polinização das suas flores é feita principalmente pelo insecto Deleromus Chamaeropsis e provavelmente também pelo vento.
Os seus frutos possuem aproximadamente 1 cm de diâmetro. De coloração castanha amarelada ou avermelhada os frutos são drupas que servem de alimento a vários animais que contribuem para dispersar as sementes da planta. A maturação dos frutos dá-se pelo verão/outono.
Com apenas alguns decímetros de altura a palmeira-anã possui porte arbustivo, formando touceiras com múltiplos pés. O caule possui a superfície revestida por fibras escuras provenientes da desagregação de bainhas velhas.
De cor verde as suas folhas rígidas e em leque são profundamente divididas, com pecíolos possuindo espinhos curtos e recurvados ao longo das margens. As folhas crescem até 50-60 cm. As folhas da palmeira-das-vassouras são usadas tradicionalmente no fabrico de vassouras, esteiras, chapéus e cordas, daí derivando esse nome comum.

Isolada ou em maciços, em vaso ou diretamente sobre o solo, a palmeira-anã é extremamente ornamental no jardim. Resiste com facilidade à secura estival e às geadas do inverno, à insolação e à pobreza do solo. Cultivada para fins ornamentais a planta atinge maiores dimensões que no seu ambiente natural, podendo nesse caso atingir os 3 ou mais metros de altura. Plantada num jardim a palmeira-anã o dá um toque mediterrânico ao espaço, sendo atualmente cultivada como planta ornamental em várias regiões do mundo. Esta pequena palmeira é ideal para pequenos jardins. Pode-se propagar a palmeira-anã por semente ou por divisão dos rebentos que vão nascendo junto da planta mãe.
Rafael Carvalho / ago2013

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Futuros alhos, do meu jardim...




+
São várias as espécies de alho silvestre presentes no nosso país, o que para mim constitui uma novidade relativamente recente.
Com inflorescências de grande dimensão, no Alto-Douro, onde resido, em ambiente ruderal é frequente a presença do alho-de-verão (Allium ampeloprasum), antepassado selvagem do alho-francês. Menos abundante é o alho-bravo (Allium sphaerocephalon). Elegante, adoro-o pela sua rubra coloração.
Pouco frequente no nosso país, o uso de alhos e outras ervas é generalizado em jardins doutras paragens.
Os alhos das imagens recolhi-os na berma da estrada. Se me tivesse atrasado uma única semana não teriam escapado à brigada da roçadora. Com a parte aérea fiz uns excelentes arranjos florais lá para casa, uma forma de compensar a minha mulher por não possuir flores de corte no meu jardim. As “cabeças” dos alhos lá para o outono serão divididas – plantarei os “dentes” daí resultantes.
Alho-de-verão e alho-bravo, mais duas espécies a adicionar à diversidade de plantas autóctones do meu jardim.
Rafael Carvalho / ago2013