quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Querença Paisagem: Jardinagem sustentável

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Querença Paisagem: Jardinagem sustentável
Querença Paisagem assume-se como um projeto de jardinagem que pretende preservar e poupar recursos.
Mais informação clicando aqui.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O meu Jardim Natural


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O espaço ajardinado envolvente à minha casa é partilhado com a vida selvagem local.
A construção de um lago, a existência de caixas-ninho e comedouros para a passarada, pretende dar uma ajuda. Sem peixes predadores o meu lago serve de habitat a uma miríade de anfíbios e insetos, até as cobras de água não lhe dizem que não!
Uma sebe de plantas autóctones (abrunheiro-bravo, pilriteiro, zelha, giesta-branca, maia, sabugueiro, alecrim, medronheiro...), verdadeiro corredor de biodiversidade, rodeia a minha propriedade. As várias dezenas de espécies de arbustos aí existentes, dão abrigo e alimento à bicharada. Um melro aqui, um coelho ali, um lagarto acolá, … é impossível estar no jardim sem me cruzar com um destes bicharocos. O meu lago, fonte de água, é ponto de encontro certo. Um jardim assim é ótimo para a minha família e bastante pedagógico para os meus filhos.
Tenho alguns sobreiros, pinheiros mansos, carvalhos e castanheiros plantados no jardim. Estas árvores autóctones são ainda jovens. Quando maduras, os seus frutos intensificarão o efeito íman que pretendo desenvolver.
No meu jardim um amontoado de pedras e um ocasional monte de lenha serve de refúgio para pequenos mamíferos, anfíbios, repteis e vários invertebrados. As vedações no meu jardim são limitadas, não tem por isso fronteiras.


Nos meus muros de pedra as plantas distribuem-se de acordo com as suas preferências em termos de humidade e exposição ao sol. Também nos seus interstícios encontra abrigo a bicharada. Um casal de chapins azuis todos os anos me presenteia nidificando num dos muros do meu jardim.
No forro de madeira do meu telheiro uma colónia de morcegos encontrou abrigo. Em busca de alimento, sobrevoam o meu lago nas quentes noites de verão.



Com um longo período de floração, rosmaninhos, alecrins e outras espécies melíferas atraem uma grande quantidade de insetos, entre os quais as belas e frágeis borboletas.
No meu jardim preservo as minhocas que descompactam o solo, reciclam a matéria orgânica, mantém a fertilidade e favorecem a infiltração da água. O meu compostor é um paraíso para as minhocas.


Relva não tenho. Um prado natural que vou enriquecendo com sementes colhidas na região não necessita de rega. Sem rega o prado não cresce tanto, necessitando apenas de três cortes anuais – sobra mais tempo para gozar o jardim. Se nasce uma margarida no prado, erva daninha para muitos, fico contente. Não me incomodo com o musgo que cresce à sombra das árvores.
Plantas que outros arrancam são por mim adotadas no jardim – são úteis a este ou àquele inseto, hóspedes no meu jardim. Joaninhas e abelhas solitárias, todas são proveitosas ao condomínio.
Possuo diversas árvores de fruto e até uma sebe produtora de frutos silvestres. A fruta como-a eu, o resto da família, mas também os amigos (os humanos e os selvagens).
Prado, arbustos e árvores autóctones, muros de pedra, pomar e lago, pretendo contribuir para manter a cadeia frágil que une todos os seres vivos. Não nos esqueçamos que quanto maior a diversidade de ecossistemas num jardim, maior será a sua biodiversidade.
Aos olhos de um jardineiro convencional, que tudo mantem controlado, o meu jardim é pleno de defeitos. Contudo, os sítios naturais intocados não deixam de ser belos e ninguém os controla!...
Rafael Carvalho / ago2013

domingo, 25 de agosto de 2013

Vegetação das Ribeiras do Algarve - Folheto CCDR/Alg


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No seguimento do último post, apresento o folheto relativo à vegetação das Ribeiras do Algarve. Com as devidas adaptações no que às espécies de flora autóctone diz respeito, os princípios aí presentes podem ser aplicados em todo o território nacional.
Obtenha o folheto em versão pdf clicando aqui.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Jardins do Algarve - Folheto CCDR/Alg


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Para o Portugal Mediterrânico, o presente folheto constitui para mim uma verdadeira inspiração no que respeita ao planeamento e gestão dos jardins.
Obtenha-o em versão pdf clicando aqui.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Rosmaninho (Lavandula stoechas)







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Em miúdo, habituei-me à presença do rosmaninho nas areias do litoral central. Quando mudei de armas e bagagens para o Alto-Douro, onde atualmente vivo, não estranhei pois a sua presença.
Pedem-me por vezes opiniões sobre que plantas usar nos jardins – o rosmaninho surge no topo da lista. Aromático, o rosmaninho possui um grande valor estético; resiste à geada no inverno e à seca no verão; tem valor medicinal, etnobotânico e culinário; fornece sementes a uma miríade de aves; espécie bastante melífera atrai insetos úteis para a horta e para o jardim.
Sobre as plantas do meu jardim tenho bastantes histórias e os meus rosmaninhos não são exceção. Há tempos pediu-me um vizinho uns pés de rosmaninho. Como no momento não tinha nenhum exemplar excedentário indiquei-lhe o lugar no monte onde os podia ir buscar. Ficou ofendido o meu interlocutor - dizia ele que não queria rosmaninhos mirrados do monte mas sim rosmaninhos mimosos de jardim. Mal sabia ele que uns e outros eram irmãos, também eu ao monte os fui buscar.
Sem qualquer outro mimo, apenas libertos de plantas concorrentes, crescem bastante viçosos os rosmaninhos do meu jardim…
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Nome vulgar: rasmonino; rosmaninho; rasmano; arçã; lavândula.
Família botânica: Lamiaceae.
Nome científico: Lavandula stoechas.
Distribuição Geral: região mediterrânica
Distribuição em Portugal: distribui-se por todo o território continental, com especial relevo nas regiões de clima mediterrânico.
Habitat: terrenos incultos e matagais, por vezes dominante, originando rosmaninhais; de grande amplitude ecológica, surge quer em dunas litorais quer no interior do país em zonas secas e expostas, com solos pobres e ácidos, com origem em areias, xistos ou granitos.
Floração: março a setembro.
Características:

De folhagem persistente, o rosmaninho é um pequeno arbusto lenhoso, facilmente identificável pelo aroma e pelas espigas violetas que lhe coroam a copa. Estas espigas, compostas por pequenas flores tubulares e labiadas, inserem-se entre brácteas, estando o conjunto rematado, em jeito de penacho, por três longas brácteas de cor violeta. A altura do rosmaninho ronda por norma os 20 a 30 cm, podendo atingir contudo os 150 cm quando cultivado ou, em estado natural, quando compete em altura com outras plantas. O seu caule é direito, ascendente ou prostrado. As folhas do rosmaninho são verde-prateadas, estreitas e mais ou menos aveludadas, inteiras, quase lineares. O seu fruto é um aquénio. 

Aromático, adaptado ao seco verão mediterrânico e à geada no inverno, o rosmaninho nos últimos anos têm vindo a conquistar terreno às espécies exóticas de lavandas. O mesmo já sucede há anos no mundo do paisagismo anglo-saxónico, onde os portuguesíssimos rosmaninho (L. stoechas) e rosmaninho-verde (L. viridis) são espécies estimadas. O rosmaninho tolera solos pobres e ventos fortes. É um tipo de lavanda com folhagem verde-acinzentada, muito decorativa. De março a setembro dá flores magníficas de cor violeta. Sem qualquer intervenção, o rosmaninho envelhece muito precocemente. Uma poda intensa no outono, mantem a planta compacta e favorece o seu rejuvenescimento. Servindo de alimento e abrigo a uma diversificada fauna silvestre, o rosmaninho contribui para o incremento da biodiversidade no jardim. O rosmaninho pode ser propagado por sementeira ou por estaca na primavera. Também é fácil de reproduzir por alporquia.

Rafael Carvalho / ago2013