sexta-feira, 13 de junho de 2014

Um sargaço entre sargacinhas

+
São várias as cistáceas presentes no meu jardim, entre elas as que figuram no título deste post.
O sargaço (Cistus psilosepalus) e a sargacinha (Halimium calycinum) abundam na região do Douro onde resido, partilhando muitas vezes o mesmo território. No meu jardim a partilha por vezes é levada ao extremo. A imagem ilustra um sargaço (flor branca) que nasceu no seio de uma sargacinha (flor amarela). Um olho treinado pode ainda distinguir na imagem as folhas de ambas as plantas, prateadas na sargacinha e verdes no sargaço.
Ambas as plantas são de uma beleza estonteante. Dispensam a rega, adubos e outros mimos. A troco de nada alegram o meu jardim.
Rafael Carvalho / jun2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Rododendro, uma exótica espécie autóctone


+
Quem diria que o rododendro da imagem tem sangue luso! De exótica só tem o aspeto. É tão luso o rododendro (Rhododendron ponticum baeticum) como o carvalho português, o azereiro ou sobreiro, este último recentemente elevado à categoria de símbolo nacional.
Ainda é jovem o meu rododendro. Tornei este ano a ser presenteado com a sua intensa floração. Que continue a florir por muitos e longos anos. Mais do que a ele desejo sorte aos últimos exemplares existentes em espaço natural (Serra do Caramulo e de Monchique em Portugal; Cadiz em Espanha).
Rafael Carvalho / jun2014

domingo, 1 de junho de 2014

Serpente, de aromáticas…




+
Num post anterior, fiz referência à forma como recorri a pneus usados para construir o meu cantinho de aromáticas.
Aos primeiros pneus somei outros – uma espécie de construção modular. Rematei agora o conjunto com uma cabeça de serpente.
Se mais aromáticas houver, a custo zero novos pneus adicionarei.
Rafael Carvalho / jun2014

terça-feira, 27 de maio de 2014

Roseira-brava, do meu jardim…



+
Adoro diversidade, especialmente a bio…
No meu jardim tenho ervas, arbustos, árvores, mas também lianas.
Entre as lianas possuo uvas-de-cão, heras, madressilvas, clematites, mas também roseiras.
São diversas as espécies de roseira-brava nativas do nosso território, algumas morfologicamente muito semelhantes. A distinção entre elas nem sempre é fácil.
No meu jardim tenho várias roseiras-bravas, cuja espécie não consigo identificar. Fico pelo género Rosa, o que já não é mau.
Relativamente às minhas singelas rosas, existe um dado curioso – em botão são cor-de-rosa intenso; a cor vai-se diluindo à medida que as pétalas crescem.
Obtive as minhas roseiras através do enraizamento de estacas colhidas de espécimes selvagens das redondezas.
Rafael Carvalho / mai2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Esteva (Cistus ladanifer)






+
Foi em miúdo que a caminho do Algarve, já em plena serra algarvia, pela primeira vez a esteva me despertou interesse. Esteval à vista, fiquei na altura fascinado pelo efeito de grupo.
As surpresas não acabaram por aqui. Já adulto e a morar no Alto-Douro, tomei consciência da existência de variações na esteva no que à coloração das pétalas diz respeito – existem estevas contendo pétalas com muita pinta, enquanto outras, cândidas, são imaculadamente brancas.

A maior surpresa tive-a eu no meu jardim. Aguardava pela floração da minha primeira esteva, quando aparentemente a desgraça sobre mim se abateu. Estava florida pela manhã a minha esteva, quando rente à noite não restava qualquer pétala. Estaria doente a minha xara? Andaria alguma praga à solta? No dia seguinte novas flores, novamente ausentes sob o crepúsculo. Assim descobri que a esteva renova diariamente as flores. Felizmente que a floração por ser escalonada acaba por se prolongar no tempo.
Muito recentemente outra surpresa. Descobri a subespécie Cistus ladanifer sulcatus, endémica do extremo sudoeste de Portugal. Se a identificação não fosse feita por especialistas, nunca acreditaria tratar-se de uma Cistus ladanifer. Com porte rastejante é extremamente ornamental.
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Nome vulgar: Esteva; Estêva; Ládano; Lábdano; Xara
Família botânica: Cistaceae.
Nome científico: Cistus ladanifer.
Distribuição Geral: Sul de França, Península Ibérica, Noroeste de África e ilhas da Macaronésia.
Distribuição em Portugal: dispersa praticamente por todo o território continental, com especial intensidade sobre solos ácidos das zonas mediterrânicas.
Habitat: matos e matagais, muitas vezes sobre solos pobres, em climas secos e quentes. Pode formar densos estevais em zonas ardidas e perturbadas.
Floração: maio a junho.
Características:
Planta perenifólia de crescimento rápido. Trata-se de um arbusto ereto, podendo atingir os dois metros de altura. É viscosa, dado segregar uma resina intensamente aromática com características medicinais, apelidada de ládano ou lábdano, o que está na origem do seu nome específico. Possui folhas lanceoladas, opostas, sésseis (sem pedúnculo) e lustrosas. A parte superior das folhas, brilhante e sem pelos é verde escura. A página inferior é mais clara devido aos pelos que a cobrem. Possui flores grandes (8 a 10 cm de diâmetro) com cinco pétalas curiosamente engelhadas. Existem exemplares que exibem uma mancha escura na base das pétalas brancas, enquanto outros têm as pétalas totalmente brancas, podendo as duas formas ocorrer no mesmo local. O fruto é uma cápsula globosa com vários compartimentos. Este fruto lembra um pequeno cesto,“ciste” em grego, palavra que derivou para o latim e deu o nome ao género cistus.
Caraterística das paisagens mediterrânicas, a esteva dispersa pelo ar o seu forte e inconfundível aroma. É um arbusto vistoso e ornamental, pouco exigente em termos nutricionais. Pode ser usada em locais solarengos, em jardins rústicos, rochosos ou não. Fomenta a biodiversidade no jardim por atrair uma grande variedade de insetos. Não reage muito bem ao corte de ramos, particularmente nos indivíduos mais velhos. É igualmente sensível a perturbações nas suas raízes.
Rafael Carvalho / mai2014