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No meu jardim, se não faltam refúgios para a vida selvagem no geral, também não faltam para os insetos em particular.
A servir de hotel, os insetos têm à disposição as fissuras do meu muro de pedra artesanal. Podem ainda optar pelo monte de lenha ou pelo amontoado de pedras que possuo num dos cantos do jardim. Como existem insetos com costumes estranhos, os aquáticos podem ainda usufruir gratuitamente do lago.
À dormida acrescento boa comida, não sendo difícil assistir a grandes banquetes perto do meu jardim de aromáticas. Apesar da crise que atravessamos, têm sido muitas as solicitações. Agora que o outono se aproxima, com um garrafão-hotel, à prova de intempérie, decidi aumentar a oferta, no que aos alojamentos respeita – bastou-me cinco minutos do dia de hoje, o dito garrafão, uma caixa de cartão e umas canas partidas, restos da minha horta.
Os insetos retribuem, polonizando as plantas da minha horta ou as árvores do meu pomar. Outros, verdadeiros sentinelas, controlam as pragas. E eu, coca-bichinhos, a vê-los passar…
Rafael Carvalho / set2014