quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Chicória (Cichorium intybus)




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Planta ruderal, comum nas bermas das nossas estradas, a chicória foi das primeiras plantas a criarem em mim o sentimento de fascínio.
No final do verão, antes de entrar no período de dormência, a chicória presenteia-nos com a sua bela floração. A ramagem desengonçada e desinteressante que sustenta as suas flores, contribui para enfatizar a sua beleza.
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Nome vulgar: almeirão; Chicória-amarga; chicória-do-café.
Família botânica: Asteraceae.
Nome científico: Cichorium intybus.
Distribuição Geral: região mediterrânica, grande parte da Europa.
Distribuição em Portugal: frequente em todo o país, com especial intensidade no Centro Litoral.
Habitat: Espécie ruderal presente em terrenos baldios, bermas de caminhos e campos agrícolas cultivados ou incultos..
Floração: junho a setembro.
Características:
Erva bianual ou perene, a chicória é utilizada na alimentação e como planta medicinal. A sua altura pode atingir os 120 cm. Muito ramosa possui, ao nível da base, folhas lanceoladas de bordos sinuosos distribuídas em roseta. As flores, reunidas em inflorescências, são intensamente azuis. As flores surgem nos caules praticamente despidos de folhas. As flores fecham ao final do dia. A chicória produz frutos secos com uma só semente. A sua raiz é um tubérculo que depois de moído e torrado é utilizado na produção de substitutos do café.
As flores da chicória são muito ornamentais, não sendo de descorar o seu possível uso em jardinagem. As suas flores atraem vários tipos de insetos.
Rafael Carvalho / out2014

sábado, 11 de outubro de 2014

Chegaram os gaios, ao meu jardim…

A imagem do gaio foi obtida aqui.

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Animais existem que facilmente associamos ao seu petisco preferido: o melro à minhoca, o papa-figos ao figo, o esquilo à avelã, …
Quanto ao gaio, motivo deste post, é louco por bolotas. Esquivo, ainda não lhe consegui capturar fotograficamente o semblante - pedi emprestada a sua imagem.
Passam meses que na minha região não vejo um gaio. Alegro-me agora pelo facto de possuir alguns carvalhos. Com as bolotas maduras é vê-los aparecer.
Segundo parece o gaio é um autêntico jardineiro da floresta. Enterra as bolotas nesta altura, para depois as comer durante o inverno. Acontece que não se lembra do paradeiro de todas, pelo que algumas germinarão, dando origem a novos carvalhos.
Rafael Carvalho / out2014

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Comedouro para aves…


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Há uns tempos atrás, expliquei aqui como construí um dos meus comedouros da passarada. Hoje mostro o resultado.
As aves são desconfiadas por natureza. A desconfiança está-lhes inscrita nos genes, o que contribui para a sua sobrevivência. Após ter construído o comedouro, passaram muitas semanas até que a passarada desse a primeira debicadela. A chegada do inverno, com a escassez de alimento que lhe está associada, deu na altura uma ajuda.
Relativamente à ementa, está dependente das minhas sobras – pão rijo desfeito, arroz cozido, … Quando não existem sobras, não me preocupo, a passarada que se desenrasque. Uns dias sem comida também são bons, para obrigar a bicharada a trabalhar.
Clientes agora não faltam! Ganham eles e ganho eu que da janela da minha cozinha aprecio a sua presença.
Rafael Carvalho / out2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Castanheiro de Beira Valente – Mta da Beira




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A discussão em torno da origem das plantas, nem sempre é pacífica.
Algumas plantas, como o pinheiro manso, são consensualmente designadas de autóctones. Já o pinheiro bravo e o pinheiro-silvestre geram alguma controvérsia. Há quem defenda que o pinheiro bravo seja autóctone, embora a escala da sua atual implantação seja coisa recente. No Gerês existem alguns núcleos de pinheiro-silvestre, atualmente considerados como sendo autóctones.
O choupo-branco é por alguns considerado nativo, enquanto outros o designam como sendo uma espécie exótica invasora.
Já a videira, há muito é considerada como tendo sido introduzida pelos romanos. Porém, aqui no Douro, em escavações arqueológicas foram encontradas grainhas de videira com 10.000 anos, muito anteriores à romanização!
Considera-se a região da Anatólia – Turquia, como sendo o berço do castanheiro, introduzido na Península Ibérica no I milénio a.C.. No entanto, na Serra da Estrela, foram encontrados em turfeiras pólenes de castanheiro, com 8.000 anos.
Muito mais exemplos de controvérsia biogeográfica poderiam aqui ser dados.
Indiferente a toda esta controvérsia, está o Castanheiro de Beira-Valente, o magnífico exemplar multicentenário da imagem. O seu tronco possui 13,30 metros de perímetro à altura do peito.
Como trabalho da disciplina de Educação Visual, o meu filho foi incumbido de registar fotograficamente, durante o presente ano letivo, o pulsar das estações em torno de uma árvore à sua escolha. Optou pelo Castanheiro de Beira Valente – gabo-lhe a escolha. Com a devida autorização do autor, pretendo aqui mostrar o trabalho final.
Rafael Carvalho / out2014

domingo, 28 de setembro de 2014

O meu lago na entrada do outono…





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Se no meu jardim existem locais onde se sente o pulsar das estações, o meu lago é um deles. Com o início do outono, o verde das plantas vivazes vai perdendo intensidade.
Quem não quer desistir são os meus nenúfares! Brevemente porém também eles cederão. Quando o inverno chegar nada deles restará à vista. Apenas sobreviverão os seus rizomas enterrados no lodo.
Quem por ora não quer perder um raio de sol, são as muitas rãs que por aqui pululam. O seu cantar deixou de se ouvir já em meados do verão. Para o ano haverá mais.
Rafael Carvalho / set2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sementes de Piorno

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Embora a uma velocidade inferior à inicial, a minha coleção de autóctones continua a crescer.
Em Armamar, onde habito, são poucos os locais onde o piorno (Retama sphaerocarpa) é visível. Conheço aqui alguns exemplares junto ao rio Douro, em local apenas acessível de barco.
No fim-de-semana passado estive em Vila Nova de Foz Côa, onde esta espécie vegetal está bem implantada. Aproveitei para de lá trazer umas sementes – os exemplares daí resultantes irão enriquecer a minha coleção de autóctones.
Acho bastante curiosos os frutos esféricos do piorno – encerram no seu interior uma única semente que, quando madura, se encontra solta no seu interior. Cada fruto funciona como um pequeno guizo. Um ramo de piorno ao ser abanado, emite um conjunto de sons que me lembram o chocalhar de uma cobra-cascavel.
Rafael Carvalho / set2014