sábado, 27 de dezembro de 2014

A sebe do meu jardim…


A gestão do espaço envolvente à minha casa é feita partindo do princípio de que se trata de um condomínio. Nesse condomínio a minha família é apenas uma das partes interessadas, a outra é a vida selvagem local, vegetal ou animal.


Quanto maior a diversidade de ambientes num jardim, maior é a sua biodiversidade. Surgem nessa lógica o meu prado natural, os meus muros de pedra, o meu pomar, a minha horta, o meu charco mas também a sebe de autóctones que rodeia o meu jardim.

Neste texto é sobre a minha sebe que pretendo falar.

Antigamente as sebes eram uma constante no ordenamento dos campos cultivados. Atualmente, com as práticas agrícolas intensivas, os agricultores deixaram de reconhecer os serviços de ecossistema prestados pelas sebes, garantindo o equilíbrio ecológico de que o controlo de pragas e doenças é apenas um exemplo.

Uma sebe de plantas autóctones, verdadeiro corredor de biodiversidade, rodeia a minha propriedade. As várias dezenas de espécies de arbustos aí existentes, dão abrigo e alimento a diversas espécies da fauna local. Um melro aqui, um coelho ali, um lagarto acolá, … é impossível estar no jardim sem me cruzar com um destes bicharocos. Tenho alguns sobreiros, pinheiros mansos, carvalhos e castanheiros plantados no jardim. Estas árvores autóctones são ainda jovens. Quando maduras, os seus frutos intensificarão o efeito íman que pretendo desenvolver.

Uma sebe formada por espécimes vegetais autóctones é interessante em qualquer altura do ano: as diferentes espécies não florescem todas ao mesmo tempo; as flores presentes têm cores e formas diversas; umas plantas são de folha caduca, enquanto outras possuem folha persistente; no outono surgem os frutos;….

Como as plantas autóctones estão perfeitamente adaptadas às condições locais, não carecem de cuidados especiais na sua manutenção. Após o primeiro ano dispensam a rega.












No meu caso não foi difícil fazer uma seleção de plantas autóctones a usar (abrunheiro-bravo, pilriteiro, zelha, giesta-branca, maia, sabugueiro, alecrim, medronheiro, folhado, roseira-brava, pereira-brava, loendro, pascoinha, esteva, freixo, lódão, carrasco, lentisco, roselha, eufórbia, buxo, azinheira, sargaço, sargacinha, erva-besteira, prímula, violeta, azevinho, espinheiro-preto, gilbardeira, madressilva, salsaparrilha...). No Alto-Douro, onde resido, é frequente existirem terrenos onde há muitas dezenas de anos não se pratica a agricultura – os chamados mortórios, mostruários da flora climácica. Quem quiser seguir o meu exemplo, procure terrenos baldios onde a flora nativa se tenha instalado. Se o nível de destruição for grande, o que infelizmente ocorre onde as monoculturas de eucalipto se têm instalado, poderão existir dúvidas sobre a flora climácica da zona, sendo necessário nesse caso um trabalho de investigação, com recurso a alguma literatura ou pesquisa na internet.

Por transplante, estacaria ou sementeira, as espécies autóctones obtive-as no monte a custo “zero”. A quase totalidade dos viveiristas só possuem plantas exóticas, desconhecendo em absoluto o significado do termo autóctone.

Para além de garantir a preservação da Natureza, as sebes naturais ajudam a manter as características culturais da paisagem.








 





A minha sebe possui diversos andares: ervas, subarbustos, arbustos, árvores e lianas, diversidade ao rubro. Na sua plantação fui tudo menos preconceituoso, os tojos têm lá lugar e as silvas também. Na altura da plantação houve quem dissesse – “ó caro senhor, olhe que essas plantas não são de pôr, são de tirar”! Inicialmente tive de efetuar algumas regas. Os mesmos exclamaram – “eu regava isso era com herbicida”! Indiferente a quem passa, atualmente delicio-me com as amoras e os melros também. Quando comecei a plantar a sebe também houve quem dissesse que eu não sabia o que estava a fazer – “uma sebe com ciprestes alinhados e aparados é que era…”!

Com um longo período de floração, rosmaninhos, alecrins e outras espécies melíferas, aromáticas e medicinais atraem uma grande quantidade de insetos, entre os quais as belas e frágeis borboletas. A minha horta beneficia assim com o acréscimo de polinizadores, beneficiando ainda com o aumento de predadores que controlam as pragas.

Chás e mezinhas, às aromáticas e medicinais vou-lhes dando uso adicional. Delicio-me ainda com os frutos silvestres, entre os quais o medronho e o morango silvestre.

Na sebe também incluí algumas espécies de árvores de fruto com forte tradição no nosso país – figueiras, marmeleiros, romãzeiras, …

A sebe que rodeia o meu jardim exerce ainda um efeito de proteção física relativamente aos produtos químicos que os meus vizinhos usam, atenuando também as geadas e os ventos fortes com consequente melhoria do microclima. Reduz a erosão e melhora a infiltração da água da chuva. A minha sebe cria maior privacidade e constitui uma barreira às entradas indesejadas no meu quintal, sem necessidade de ter grandes muros. Atenua o ruído e filtra a poeira. Acrescem-se ainda os serviços culturais – quantas vezes dou por mim a servir de guia às minhas visitas?!
Rafael Carvalho / dez2014

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal!

+
O autóctone azevinho é um dos símbolos natalícios mais populares. Não sendo propriamente muito abundante, continua contudo presente em estado selvagem em algumas das serras do centro e Norte do país.
Nutrindo simpatia, no Norte não existe jardim que se prese que não tenha um azevinho - o meu tem quatro! Infelizmente o mesmo não se passa no Sul - a explicação é simples, o azevinho vegeta mal em solos calcários.

A Câmara Municipal de Vila Real tem promovido a plantação de azevinhos nos jardins públicos e privados da cidade, auto-intitulando-se a "Cidade dos Azevinhos.

A todos os leitores deste blogue, desejo um feliz Natal!
Rafael Carvalho / dez2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Continua a queda de folhas, no meu jardim…

+
Vive-se cada vez mais em ambientes artificiais: relva sintética; canteiros preenchidos com inertes, sebes postiças, piscinas de ondas…
Quanto a mim, gosto de sentir o pulsar das estações, algo só possível em ambientes naturais. Continua de momento a queda de folhas, no meu jardim…
Rafael Carvalho / dez2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Primeiros linces ibéricos foram libertados esta terça-feira em Mértola

Imagem obtida aqui.
+
A TSF publicou hoje às 06:32 a notícia passo a transcrever.

Um casal da espécie ameaçada é libertado numa área cercada de dois mil hectares. São os primeiros linces criados em cativeiro a serem reintroduzidos em Portugal.
O casal de linces ibéricos será libertado no parque Natural do Vale do Guadiana, em Mértola. Um dos animais veio do Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico em Silves e o outro de Espanha. Este casal, de uma espécie considerada em sério risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza, vai ser libertado numa área cercada de dois mil hectares.
À TSF, o Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel Castro Neto, diz que este é um marco «único e extraordinário na história da conservação da natureza em Portugal: vamos reintroduzir uma espécie que se extinguiu no país».
Se tudo correr bem, os dois linces poderão sair da zona cercada no final de janeiro e até meio do próximo ano devem ser libertados mais oito animais. O objectivo é que os linces se reproduzam autonomamente para que deixe de ser necessário libertar mais linces criados em cativeiro. Os animais terão todos uma coleira que emite um sinal de GPS para que sejam acompanhados pelo Instituto de Conservação da Natureza.
Do lado dos caçadores, a Federação Portuguesa de Caça considera prematura a decisão de libertar os linces. Jacinto Amaro, o presidente da Federação, diz que a população de coelhos bravos, o principal alimento do lince, não é suficiente para aguentar a competição entre os caçadores e os felinos. Ouvido pela TSF, Jacinto Amaro lembra que «a população de coelhos, por causa da nova estirpe da doença vírica hemorrágica, caiu drasticamente. Não há a mínima condição para os linces se alimentarem da população de coelhos».
Em resposta, o secretário de Estado sublinha que esta federação foi a única das três que representam os caçadores que não assinou o Pacto Nacional para a protecção do lince ibérico, garantindo ainda garante que a zona tem sido monitorizada e que existem 3,5 coelhos por hectare. José Paulo Martins, dirigente da Quercus, também acredita que a alimentação está garantida pois «a região de Mértola é das zonas com maior densidade de coelhos».
A Quercus afirma que encara esta nova fase da reintrodução do lince ibérico em Portugal com alegria mas também com alguma apreensão. José Paulo Martins aponta dois riscos: «sabemos que em Espanha os atropelamentos têm sido uma importante causa de mortalidade. Os animais vão ser introduzidos em zona de caça. Será preciso acompanhar essas situações».
Em Julho, a Quercus assinou, tal como várias associações de caçadores, de produtores agrícolas e a administração pública, o Pacto Nacional para a Conservação do Lince Ibérico. A Federação Portuguesa de Caça não subscreveu esse pacto.
O Secretário de Estado sublinha que o investimento que se fez para reintroduzir os linces em Portugal não serve apenas para beneficiar a espécie e dos habitats mas também para «atrair investimento e visitantes para os territórios desertificados do Interior».

sábado, 13 de dezembro de 2014

Tronco de castanheiro…


+
Castanheiros tenho vários, ainda crianças...
Com rugas vincadas, só lamento que o dito não pertença ao meu jardim.
Rafael Carvalho / dez2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Bolotas de carrasco…


+
Acho fotogénicas as bolotas do nosso carrasco.
Quanto a carrascos (Quercus coccifera), tenho um no meu jardim. Outros aguardam em vaso pelo transplante – trouxe-os este ano da zona Oeste do país.
Sobreiro, azinheira, carvalho alvarinho, carvalho negral, carvalho português, carvalhiça e carrasco, são várias as quercíneas autóctones que possuo. Falta-me o carvalho de Monchique na coleção.
Rafael Carvalho / dez2014