sábado, 24 de janeiro de 2015

O Quê?!

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Apresento-vos o quê (Q) do meu jardim. Quê de letra Q e não quê “do quê?”. Confirme-se o que digo pela observação da imagem.

O espaço apresentado vagou pela morte de uma salva purpúrea, uma das muitas aromáticas presentes na minha horta ajardinada.

O espaço envolvente à minha casa, tem sido planeado tendo a ecologia como máxima. A minha horta biológica é nesse espaço apenas uma das peças. Com as plantas aromáticas atraio os insetos úteis, polinizadores e predadores de pragas. Se o ambiente se mantiver equilibrado, ganha a minha dispensa.

Relativamente a pragas, não tem sido fácil lidar com as lesmas. Alturas existem em que comem tanto como eu, menos mal. Porém, noutras ocasiões comem mais do que eu, destruindo por completo as pequenas plântulas que não chegam a vingar.


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É sabido que os anfíbios são bons predadores de caracóis e lesmas. Tenho introduzido alguns deles na horta, que contudo não se têm fixado. Possuo um lago com uma boa comunidade de anfíbios, infelizmente distante da horta. Acabadinho de construir, é neste contexto que surge O Quê. Trata-se de uma dorna plástica com aproximadamente 300 litros de capacidade. A perna do quê, um esteio de xisto, é um ponto de fuga para possíveis náufragos; também servirá de pouso à passarada sedenta.

A boiar já tenho um vaso de esferovite com juncos. Lá mais para a frente, O Quê será presenteado com um nenúfar.
Rafael Carvalho / jan2015

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sanganho-mouro / na falta da flor, mostro o fruto



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Na falta de flores, não menos belos apreciem-se os frutos.

São várias as espécies do género Cistus nativas do nosso território (esteva – Cistus ladanifer; sargaço – Cistus psilosepalus; estevão – Cistus populifolius; roselha-grande – Cistus albidus; roselha-pequena - Cistus crispus; …

Na imagem mostro o fruto do sanganho-mouro – Cistus salvifolius, também presente no meu jardim.

O nome do género Cistus deriva do facto dos seus frutos serem cápsulas globosas compartimentadas. Etimologicamente vem do grego "ciste", que significa caixa, cesto. Cesto repleto de sementes que asseguram a continuidade da espécie…
Rafael Carvalho / jan2015

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Continua o frio, no meu jardim…


  



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No meu jardim flores com pétalas já não tenho. Restam-me as flores de gelo – surgem de madrugada; desaparecem com os primeiros raios de sol; ressuscitam novamente no dia seguinte.

De cima para baixo, começo com uma araucária (Araucaria angustifólia), uma das poucas exóticas do meu jardim. A sua presença constituiu para mim a concretização de um sonho de criança. Em Aveiro, de onde sou natural, a araucária marcava com a sua silhueta uma quinta em Vilar, pertença de um ex-emigrante no Brasil, de onde aliás esta espécie botânica é originária.

Segue-se a sargacinha (Halimium lasianthum), o tojo (Ulex europaeus), a orelha-de-mula (Alisma plantago-aquatica), o rosmaninho (Lavandula stoechas) e o sargaço (Cistus psilosepalus), todos eles gelados.

Rafael Carvalho / jan2014

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CONVITE | Queremos uma floresta portuguesa com certeza!

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No dia 9 de maio 2015, o CRE.Porto, no âmbito da sua iniciativa FUTURO – projeto das 100.000 árvores na Área Metropolitana do Porto, dinamiza a atividade “Queremos uma floresta portuguesa com certeza!”, no Centro de Educação Ambiental da Quinta do Covelo, no Porto.
A floresta portuguesa reúne uma série de espécies que são originárias do nosso território que estão bem adaptadas às nossas condições climáticas, exercendo um forte papel em vários serviços de ecossistemas, entre eles a regulação do clima, o sequestro de carbono e a regulação do ciclo hidrológico. Apesar de possuírem um crescimento lento, quando bem desenvolvidas oferecem abrigo e alimento a espécies animais e apresentam mais resistência aos incêndios florestais. Desta forma torna-se imperativo o pedido: “Queremos uma floresta portuguesa com certeza!”.
Com esta atividade os participantes, famílias com crianças pequenas, irão aprender a identificar algumas espécies autóctones, perceber a importância da sua plantação, ter uma perceção diferente das árvores e aprender a explorar a floresta urbana através de experiências lúdicas e sensoriais, até com os olhos fechados! 
Esta atividade faz parte do programa “Ambiente em Família”, promovido pela Câmara Municipal do Porto, que decorre ao longo de 2015. Pré-inscrição na atividade: dm.gestaoambiental@cm-porto.pt

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bufa-de-lobo


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Bufa-de-lobo, um dos mais estranhos cogumelos, do meu jardim!...

Rafael Carvalho / dez2014

sábado, 27 de dezembro de 2014

A sebe do meu jardim…


A gestão do espaço envolvente à minha casa é feita partindo do princípio de que se trata de um condomínio. Nesse condomínio a minha família é apenas uma das partes interessadas, a outra é a vida selvagem local, vegetal ou animal.


Quanto maior a diversidade de ambientes num jardim, maior é a sua biodiversidade. Surgem nessa lógica o meu prado natural, os meus muros de pedra, o meu pomar, a minha horta, o meu charco mas também a sebe de autóctones que rodeia o meu jardim.

Neste texto é sobre a minha sebe que pretendo falar.

Antigamente as sebes eram uma constante no ordenamento dos campos cultivados. Atualmente, com as práticas agrícolas intensivas, os agricultores deixaram de reconhecer os serviços de ecossistema prestados pelas sebes, garantindo o equilíbrio ecológico de que o controlo de pragas e doenças é apenas um exemplo.

Uma sebe de plantas autóctones, verdadeiro corredor de biodiversidade, rodeia a minha propriedade. As várias dezenas de espécies de arbustos aí existentes, dão abrigo e alimento a diversas espécies da fauna local. Um melro aqui, um coelho ali, um lagarto acolá, … é impossível estar no jardim sem me cruzar com um destes bicharocos. Tenho alguns sobreiros, pinheiros mansos, carvalhos e castanheiros plantados no jardim. Estas árvores autóctones são ainda jovens. Quando maduras, os seus frutos intensificarão o efeito íman que pretendo desenvolver.

Uma sebe formada por espécimes vegetais autóctones é interessante em qualquer altura do ano: as diferentes espécies não florescem todas ao mesmo tempo; as flores presentes têm cores e formas diversas; umas plantas são de folha caduca, enquanto outras possuem folha persistente; no outono surgem os frutos;….

Como as plantas autóctones estão perfeitamente adaptadas às condições locais, não carecem de cuidados especiais na sua manutenção. Após o primeiro ano dispensam a rega.












No meu caso não foi difícil fazer uma seleção de plantas autóctones a usar (abrunheiro-bravo, pilriteiro, zelha, giesta-branca, maia, sabugueiro, alecrim, medronheiro, folhado, roseira-brava, pereira-brava, loendro, pascoinha, esteva, freixo, lódão, carrasco, lentisco, roselha, eufórbia, buxo, azinheira, sargaço, sargacinha, erva-besteira, prímula, violeta, azevinho, espinheiro-preto, gilbardeira, madressilva, salsaparrilha...). No Alto-Douro, onde resido, é frequente existirem terrenos onde há muitas dezenas de anos não se pratica a agricultura – os chamados mortórios, mostruários da flora climácica. Quem quiser seguir o meu exemplo, procure terrenos baldios onde a flora nativa se tenha instalado. Se o nível de destruição for grande, o que infelizmente ocorre onde as monoculturas de eucalipto se têm instalado, poderão existir dúvidas sobre a flora climácica da zona, sendo necessário nesse caso um trabalho de investigação, com recurso a alguma literatura ou pesquisa na internet.

Por transplante, estacaria ou sementeira, as espécies autóctones obtive-as no monte a custo “zero”. A quase totalidade dos viveiristas só possuem plantas exóticas, desconhecendo em absoluto o significado do termo autóctone.

Para além de garantir a preservação da Natureza, as sebes naturais ajudam a manter as características culturais da paisagem.








 





A minha sebe possui diversos andares: ervas, subarbustos, arbustos, árvores e lianas, diversidade ao rubro. Na sua plantação fui tudo menos preconceituoso, os tojos têm lá lugar e as silvas também. Na altura da plantação houve quem dissesse – “ó caro senhor, olhe que essas plantas não são de pôr, são de tirar”! Inicialmente tive de efetuar algumas regas. Os mesmos exclamaram – “eu regava isso era com herbicida”! Indiferente a quem passa, atualmente delicio-me com as amoras e os melros também. Quando comecei a plantar a sebe também houve quem dissesse que eu não sabia o que estava a fazer – “uma sebe com ciprestes alinhados e aparados é que era…”!

Com um longo período de floração, rosmaninhos, alecrins e outras espécies melíferas, aromáticas e medicinais atraem uma grande quantidade de insetos, entre os quais as belas e frágeis borboletas. A minha horta beneficia assim com o acréscimo de polinizadores, beneficiando ainda com o aumento de predadores que controlam as pragas.

Chás e mezinhas, às aromáticas e medicinais vou-lhes dando uso adicional. Delicio-me ainda com os frutos silvestres, entre os quais o medronho e o morango silvestre.

Na sebe também incluí algumas espécies de árvores de fruto com forte tradição no nosso país – figueiras, marmeleiros, romãzeiras, …

A sebe que rodeia o meu jardim exerce ainda um efeito de proteção física relativamente aos produtos químicos que os meus vizinhos usam, atenuando também as geadas e os ventos fortes com consequente melhoria do microclima. Reduz a erosão e melhora a infiltração da água da chuva. A minha sebe cria maior privacidade e constitui uma barreira às entradas indesejadas no meu quintal, sem necessidade de ter grandes muros. Atenua o ruído e filtra a poeira. Acrescem-se ainda os serviços culturais – quantas vezes dou por mim a servir de guia às minhas visitas?!
Rafael Carvalho / dez2014

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal!

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O autóctone azevinho é um dos símbolos natalícios mais populares. Não sendo propriamente muito abundante, continua contudo presente em estado selvagem em algumas das serras do centro e Norte do país.
Nutrindo simpatia, no Norte não existe jardim que se prese que não tenha um azevinho - o meu tem quatro! Infelizmente o mesmo não se passa no Sul - a explicação é simples, o azevinho vegeta mal em solos calcários.

A Câmara Municipal de Vila Real tem promovido a plantação de azevinhos nos jardins públicos e privados da cidade, auto-intitulando-se a "Cidade dos Azevinhos.

A todos os leitores deste blogue, desejo um feliz Natal!
Rafael Carvalho / dez2014