domingo, 14 de outubro de 2012

Silvas no jardim?!#... Porque não?!


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Do género Rubus, são várias as espécies de silvas nativas no nosso país. Tantas são que não me atrevo a identificar o espécime das imagens. Garanto contudo que os seus frutos são deliciosos.
As silvas propagam-se naturalmente por semente. Como os seus ramos ganham raízes laterais, facilmente dão origem a novos pés. Quando não devidamente controladas, as silvas tornam-se infestantes, formando os denominados silvados.
Após plantar um ou dois pés no fim do inverno, preferencialmente num canto soalheiro, a silva não precisa de cuidados especiais. Dispensa a rega e tolera diferentes tipos de solo.
Como é costume no nosso país, desprezamos o que é nosso. Países existem (Suíça, Inglaterra, …) onde as silvas são cultivadas como qualquer outro arbusto de baga – mirtilo, groselha, framboesa…, formando verdadeiras sebes gulosas. Curiosamente também por cá é relativamente vulgar cultivar a framboesa, um parente muito próximo da silva.
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Este verão fiz uma visita à Reserva Natural da Faia Brava, no vale do Côa. Dizia-me a guia que me acompanhou que um ponto alto nos campos de trabalho que desenvolvem no verão coincide com a apanha das amoras, verdadeira recompensa para os voluntários/visitantes.
As silvas têm um longo período de produção. No mesmo cacho são visíveis bagas negras completamente maduras, ao lado de outras ainda imaturas, de vermelho pintadas.
No supermercado as amoras são compradas com valores que rondam os 10€/Kg. A custo zero, colhidas e comidas diretamente da planta têm outro sabor. As amoras frescas devem ser comidas no próprio dia da colheita, mas também podem ser congeladas ou enfrascadas em conserva. As amoras podem ainda ser usadas em molhos, bolos e gelados. Pelo que parece também há licor de amora.
As amoras no jardim, para além de estarem mais à mão do que as colhidas no campo, são por norma maiores. Podem ser cultivadas em sebe, o que exige muito espaço mas ajuda a afastar os intrusos, ou guiadas entre postes aramados horizontalmente, o que facilita a condução e a poda/controlo. No outono devem ser cortados os caules de fruto já antigos.
Rafael Carvalho / out2012

5 comentários:

  1. Viva,

    Concordo!! Pois se estivermos plenamente conscientes acerca da utilização das silvas, conseguimos controlá-las e depois a recompensa é tão saborosa...
    Gostei deste jardim autóctone e vou visitá-lo mais vezes!!

    Um abraço,
    faroleco.blogspot.pt

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  2. Ora faroleco,
    obrigado pela visita e pelo comentário.
    Cumprimentos.

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  3. São umas silvas com sorte. Tão bem tratadas, bem merece quem as trata colher tão belos e saborosos frutos. Abraço.

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  4. Nem todas as silvas dão boas amoras, é preciso escolher as espécies mais adequadas e isso pode fazer-se observando as que dão melhores frutos. O "género Rubus é um dos géneros de maior complexidade taxonómica em Portugal. Para além desta espécie, ocorrem em Portugal o R. brigantinus, R. canescens, R. castellarnaui, R. galloecicus, R. genevieri, R. henriquesii, R. lainzii, R. peratticus, R. praecox, R. radula, R. sampaioanus, R. vagabundus, R. vestitus e R. vigoi"...

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