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Foi em miúdo que a caminho do Algarve, já em plena serra algarvia, pela primeira vez a esteva me despertou interesse. Esteval à vista, fiquei na altura fascinado pelo efeito de grupo.
As surpresas não acabaram por aqui. Já adulto e a morar no Alto-Douro, tomei consciência da existência de variações na esteva no que à coloração das pétalas diz respeito – existem estevas contendo pétalas com muita pinta, enquanto outras, cândidas, são imaculadamente brancas.
A maior surpresa tive-a eu no meu jardim. Aguardava pela floração da minha primeira esteva, quando aparentemente a desgraça sobre mim se abateu. Estava florida pela manhã a minha esteva, quando rente à noite não restava qualquer pétala. Estaria doente a minha xara? Andaria alguma praga à solta? No dia seguinte novas flores, novamente ausentes sob o crepúsculo. Assim descobri que a esteva renova diariamente as flores. Felizmente que a floração por ser escalonada acaba por se prolongar no tempo.
Muito recentemente outra surpresa. Descobri a subespécie Cistus ladanifer sulcatus, endémica do extremo sudoeste de Portugal. Se a identificação não fosse feita por especialistas, nunca acreditaria tratar-se de uma Cistus ladanifer. Com porte rastejante é extremamente ornamental.
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Nome vulgar: Esteva; Estêva; Ládano; Lábdano; Xara
Família botânica: Cistaceae.
Nome científico: Cistus ladanifer.
Distribuição Geral: Sul de França, Península Ibérica, Noroeste de África e ilhas da Macaronésia.
Distribuição em Portugal: dispersa praticamente por todo o território continental, com especial intensidade sobre solos ácidos das zonas mediterrânicas.
Habitat: matos e matagais, muitas vezes sobre solos pobres, em climas secos e quentes. Pode formar densos estevais em zonas ardidas e perturbadas.
Floração: maio a junho.
Características:
Planta perenifólia de crescimento rápido. Trata-se de um arbusto ereto, podendo atingir os dois metros de altura. É viscosa, dado segregar uma resina intensamente aromática com características medicinais, apelidada de ládano ou lábdano, o que está na origem do seu nome específico. Possui folhas lanceoladas, opostas, sésseis (sem pedúnculo) e lustrosas. A parte superior das folhas, brilhante e sem pelos é verde escura. A página inferior é mais clara devido aos pelos que a cobrem. Possui flores grandes (8 a 10 cm de diâmetro) com cinco pétalas curiosamente engelhadas. Existem exemplares que exibem uma mancha escura na base das pétalas brancas, enquanto outros têm as pétalas totalmente brancas, podendo as duas formas ocorrer no mesmo local. O fruto é uma cápsula globosa com vários compartimentos. Este fruto lembra um pequeno cesto,“ciste” em grego, palavra que derivou para o latim e deu o nome ao género cistus.
Caraterística das paisagens mediterrânicas, a esteva dispersa pelo ar o seu forte e inconfundível aroma. É um arbusto vistoso e ornamental, pouco exigente em termos nutricionais. Pode ser usada em locais solarengos, em jardins rústicos, rochosos ou não. Fomenta a biodiversidade no jardim por atrair uma grande variedade de insetos. Não reage muito bem ao corte de ramos, particularmente nos indivíduos mais velhos. É igualmente sensível a perturbações nas suas raízes.
Rafael Carvalho / mai2014
